Pré-candidatos a presidente falam sobre o uso do fundo partidário para pagar viagens
Segundo levantamento da CNN, legendas pagaram R$ 3,1 milhões em viagens de políticos em 2021


Em 2021, os partidos brasileiros gastaram mais de R$ 3 milhões de recursos públicos do fundo partidário em deslocamentos de seus políticos, segundo as prestações de contas enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O fundo é disponibilizado para que as siglas paguem contas como luz, água, aluguel, passagens aéreas, entre outros custos ligados à sua atividade. O valor também pode ser usado no financiamento de campanhas.
Levantamento feito pela CNN mostra que, de todos os gastos declarados pelos partidos, R$ 3,1 milhões dizem respeito a despesas com jatos privados usados por políticos.
Criado em 1995, o fundo é distribuído todos os anos às siglas de acordo com o total de cadeiras que elas possuem na Câmara.
A CNN perguntou aos pré-candidatos à Presidência da República o que eles pensam sobre o uso do fundo partidário para bancar viagens de políticos.
Confira abaixo as respostas:
Luiz Inácio Lula da Silva (PT):
O pré-candidato não respondeu até o momento da publicação.
Jair Bolsonaro (PL):
O pré-candidato não respondeu até o momento da publicação.
Ciro Gomes (PDT):
O pré-candidato não respondeu até o momento da publicação.
André Janones (Avante):
O pré-candidato não respondeu até o momento da publicação.
Simone Tebet (MDB):
A pré-candidata não respondeu até o momento da publicação.
Pablo Marçal (Pros):
Eu vejo o fundo partidário como um remédio prescrito para combater a doença do financiamento político privado, uma das principais causas da deterioração política do país. Tenho tranquilidade em abordar esse tema porque abri mão do fundo eleitoral e do partidário e tenho usado somente os meus recursos para bancar viagens, voos, estadias e qualquer outro custo ligado à pré-campanha.
O emprego dos recursos públicos, mesmo que do fundo partidário que não vem exatamente do orçamento e dos impostos, tem que ter rastreamento para garantir a finalidade e a moralidade pública. Infelizmente esses princípios não podem ficar ao arbítrio do juízo de bom senso de cada candidato, as regras devem ser estabelecidas de forma clara e depois devem ser cobradas com austeridade.
Todo remédio tem seus efeitos colaterais que, só toleramos, para focar no alvo principal que é o combate à doença, mas não podemos achar o desvio, tanto do recurso em si quanto da finalidade, como normal. O problema é entregar quase R$ 1 bilhão (média do repasse nos últimos anos) nas mãos de candidatos que “já tiraram trilhões da pobreza”. É como avisar o ladrão, depois de ser assaltado e perder todo o seu dinheiro, cartões e conta bancária, que sobraram algumas moedinhas no bolso da calça.
Felipe d’Avila (Novo):
Sou tão contrário a gastar o dinheiro dos brasileiros com jatinhos para políticos. Estou no único Partido que trabalha — na prática — para que isso acabe. O Partido Novo não usa o fundo partidário para sua manutenção, e devolveu o que tinha direito do fundo eleitoral para campanha, porque acreditamos que o dinheiro público deve ser gasto com a população, e não com a classe política.
As viagens e demais gastos do partido são pagos com o dinheiro dos nossos filiados e simpatizantes, que contribuem porque acreditam na causa e compartilham dos nossos valores.
José Maria Eymael (DC):
A utilização de recursos do fundo partidário para viagens de dirigentes partidários eu considero absolutamente normal e necessário. Nada substitui a ação presencial de dirigentes partidários.
Quanto à utilização de jatinhos por dirigentes partidários, quando estritamente necessário, a Democracia Cristã considera legítimo.
A Democracia, entretanto, ressalta que essa hipótese em relação a ela é inexequível, face ao pequeno valor que recebia.
Registre-se que, essa desproporção na distribuição do fundo partidário ofende frontalmente o princípio constitucional da igualdade.
Leonardo Pericles (UP):
O pré-candidato não respondeu até o momento da publicação.
Luciano Bivar (União Brasil):
O pré-candidato não respondeu até o momento da publicação.
Sofia Manzano (PCB):
A pré-candidata não respondeu até o momento da publicação.
Vera Lúcia (PSTU):
A pré-candidata não respondeu até o momento da publicação.
Fotos – Os pré-candidatos à Presidência
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O presidente Jair Bolsonaro (PL) participa de solenidade no Palácio do Planalto, em Brasília - 20/06/2022 • CLÁUDIO REIS/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
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Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente, governou o país entre 2003 e 2010 e é o candidato do PT • Foto: Ricardo Stuckert
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O candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT) tenta chegar ao Palácio do Planalto pela quarta vez • FÁTIMA MEIRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
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Simone Tebet cumpre o primeiro mandato como senadora por Mato Grosso do Sul e é a candidata do MDB à Presidência • Divulgação/Flickr Simone Tebet
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Felipe d'Avila, candidato do partido Novo, entra pela primeira vez na corrida pela Presidência • ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
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José Maria Eymael (DC) já concorreu nas eleições presidenciais em 1998, 2006, 2010, 2014 e 2018, sempre pelo mesmo partido • Marcello Casal Jr/Agência Bras
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Vera Lúcia volta a ser candidata à Presidência da República pelo PSTU. Ela já concorreu em 2018 • Romerito Pontes/Divulgação
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Leonardo Péricles, do Unidade Popular (UP), se candidata pela primeira vez a presidente • Manuelle Coelho/Divulgação/14.nov.2021
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Sofia Manzano (PCB) é candidata à Presidência da República nas eleições de 2022 • Pedro Afonso de Paula/Divulgação
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Senadora Soraya Thronicke (União Brasil-MS), candidata à Presidência da República - 02/08/2022 • ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
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Padre Kelmon (PTB) assumiu a candidatura à Presidência após o TSE indeferir o registro de Roberto Jefferson (PTB) • Reprodução Facebook