Moro busca se descolar da terceira via e se consolidar como anti-Lula
Pré-campanha do ex-juiz avalia que a mensagem que ele deve passar daqui em diante é de resgate de valores, como Bolsonaro em 2018

Integrantes da campanha do ex-juiz Sergio Moro disseram à CNN que a estratégia no curto prazo é buscar se distanciar nas pesquisas dos candidatos da chamada terceira via para cada vez mais tentar se consolidar como o anti-Lula nas eleições de 2022.
Nesse sentido, Moro deverá dizer nas conversas que terá com políticos que sua candidatura é pra valer e irá até o fim. Isso porque seus interlocutores já notaram que vem sendo levantado nos bastidores a possibilidade de ele desistir da candidatura presidencial em nome de uma composição com algum dos nomes da terceira via.
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O presidente Jair Bolsonaro (PL) participa de solenidade no Palácio do Planalto, em Brasília - 20/06/2022 • CLÁUDIO REIS/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
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Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente, governou o país entre 2003 e 2010 e é o candidato do PT • Foto: Ricardo Stuckert
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O candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT) tenta chegar ao Palácio do Planalto pela quarta vez • FÁTIMA MEIRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
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Simone Tebet cumpre o primeiro mandato como senadora por Mato Grosso do Sul e é a candidata do MDB à Presidência • Divulgação/Flickr Simone Tebet
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Felipe d'Avila, candidato do partido Novo, entra pela primeira vez na corrida pela Presidência • ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
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José Maria Eymael (DC) já concorreu nas eleições presidenciais em 1998, 2006, 2010, 2014 e 2018, sempre pelo mesmo partido • Marcello Casal Jr/Agência Bras
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Vera Lúcia volta a ser candidata à Presidência da República pelo PSTU. Ela já concorreu em 2018 • Romerito Pontes/Divulgação
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Leonardo Péricles, do Unidade Popular (UP), se candidata pela primeira vez a presidente • Manuelle Coelho/Divulgação/14.nov.2021
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Sofia Manzano (PCB) é candidata à Presidência da República nas eleições de 2022 • Pedro Afonso de Paula/Divulgação
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Senadora Soraya Thronicke (União Brasil-MS), candidata à Presidência da República - 02/08/2022 • ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
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Padre Kelmon (PTB) assumiu a candidatura à Presidência após o TSE indeferir o registro de Roberto Jefferson (PTB) • Reprodução Facebook
Eles garantem, contudo, que isso não ocorrerá, que ele irá se candidatar, que é o que tem mais chances de derrotar Lula e que é o petista, e não Bolsonaro, seu principal alvo. Essa ideia inclusive já vem sendo feita nas suas redes sociais. De 30 posts publicados no último mês, dez são atacando Lula e nenhum atacando Bolsonaro.
Há nessa estratégia a ideia de também atrair bolsonaristas arrependidos. A pré-campanha de Moro avalia que a mensagem que ele deve passar daqui em diante é de resgate de valores, algo que Bolsonaro usou nas eleições de 2018 mas, segundo aliados de Moro, não conseguiu entregar no seu mandato. Por isso, a linha da campanha de Moro até agora foi baseada nas teses bolsonaristas de 2018: reformas econômicas, liberalismo, segurança pública e, claro, combate à corrupção, que será sim sua principal bandeira.
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Após ter conquistado notoriedade como juiz na Operação Lava Jato, Sérgio Moro assumiu o cargo de ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro. Ele deixou o posto depois de desentendimentos com o presidente e acusou-o de tentativa de interferência na Polícia Federal em abril de 2020. Ele trabalhou na consultoria de uma empresa nos EUA, voltou ao Brasil, filiou-se ao Podemos e é pré-candidato a presidente em 2022 • Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
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O ex-coordenador da Lava Jato pediu a exoneração do Ministério Público Federal em 2 de novembro, e reflete sobre a migração para a política. Dellagnol se filiou ao Podemos no início de dezembro (2021) e disputará a eleição para deputado federal no Paraná. Sobre a saída da instituição, ele disse que poderá ‘fazer mais pelo país’ fora do Ministério Público • Fernando Frazão/Agência Brasil
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O ex-presidente Lula teve as condenações feitas pela Lava Jato contra ele anuladas pelo Supremo Tribunal Federal. Ele havia sido indiciado por Atualmente, especula-se sobre uma possível candidatura à presidência nas eleições de 2022, pelo Partido dos Trabalhadores (PT) • REUTERS
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Rodrigo Janot
O ex-procurador-geral da República, que comandou o Ministério Público durante os três primeiros anos da Lava Jato, se aposentou e não exerce cargos no judiciário. Em 2019, ele publicou um livro sobre a operação chamado “Nada Menos Que Tudo”. Atualmente, estuda a entrada para a política em 2022 pelo Podemos, partido que abrigará Moro, e possivelmente, Dallagnol • DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE
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Alberto Youssef
O doleiro e pivô da deflagração da Lava Jato foi preso em 2014 devido ao envolvimento nos casos da Petrobras e do Banestado. Ele passou ao regime aberto em 2016. No início do ano, foi citado em denúncia de corrupção passiva da subprocuradora-geral Lindôra Araújo contra o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, que fez visitas ao escritório de Youssef entre 2010 e 2011 • Geraldo Bubniak/AGB/AE
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O engenheiro e empresário, que foi presidente da Novonor entre 2008 a 2015. Ele foi preso em 2015 e fez uma das delações mais importantes da operação. Após desentendimentos com a família e a empresa que comandou, ele foi demitido e teve seus bens congelados por uma ação judicial da empreiteira. Atualmente cumpre prisão em regime semiaberto, em seu domicílio em São Paulo • GIULIANO GOMES/ESTADÃO CONTEÚDO/AE
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Paulo Roberto Costa
O engenheiro e ex-diretor de abastecimento da Petrobras foi o primeiro delator dos esquemas de corrupção da estatal. Preso no início de 2014, ele passou para o regime aberto em 2016 • Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
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Newton Ishii ("Japonês da Federal")
Newton Ishii, que ficou conhecido por aparições nas prisões de figuras da Lava Jato, foi expulso da Polícia Federal, condenado por envolvimento na facilitação de contrabando na fronteira entre Brasil e Paraguai, em Foz do Iguaçu. Ele foi preso em 2016 e passou a cumprir regime semiaberto no mesmo ano. A defesa de Ishii recorreu contra a condenação, mas teve o recurso negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) • Reprodução
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O engenheiro e ex-diretor de serviços da Petrobras foi indiciado em diversos processos, sendo o último ainda da Lava Jato, que investigou o envio de propina com pagamentos a uma editora. Ele foi condenado por lavagem de dinheiro em março deste ano • Foto: Marcelo Camargo - 19.mar.2015/Ag Brasil
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Nestor Cerveró
O ex-diretor internacional da Petrobras e ex-diretor financeiro da BR Distribuidora foi condenado na Lava Jato por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Em 2019, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou sua inabilitação por 15 anos • Antonio Cruz/Agência Brasil
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João Vaccari Neto
O ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) foi preso e condenado pela Lava Jato em 2015. Após a decisão do TRF-4 reformar a decisão de Sérgio Moro, ele foi absolvido de uma pena de 15 anos de prisão. Em março desse ano, foi condenado pela mesma ação que condenou Renato Duque, a seis anos e seis meses de prisão em regime semi-aberto, acusado de ter intermediado pagamento de R$ 2,4 milhões à Gráfica Atitude por empresas de Augusto Ribeiro de Mendonça Neto. De acordo com a acusação, o dinheiro teria sido usado nas campanhas do PT em 2010. Sua condenação sobre os contratos da construtora Odebrecht foi anulada pelo ministro Jesuíno Rissato, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). • ANDRE DUSEK/ESTADÃO CONTEÚDO/AE
O lançamento de sua autobiografia “Contra o sistema de corrupção” nesta semana se insere nesta estratégia de começar a retomar o tema tendo em vista que a economia, e não a corrupção como em 2018, é a grande preocupação do brasileiro segundo as pesquisas. Moro fará lançamentos do livro em pelo menos quatro cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Curitiba.
A pré-campanha discute ampliar o número de capitais para pelo menos dez das 27 do país. A ideia é justamente tentar apresentar a sua versão da Operação Lava Jato e principalmente como ele enxerga o fato de muitas suas sentenças contra Lula terem sido anuladas por ter sido considerado pelo Supremo Tribunal Federal um juiz parcial. A expectativa é que o roteiro do livro ajude a diminuir a taxa de rejeição de Moro, que é alta. Seus estrategistas também consideram que as avaliações de que ele tem teto não procedem.
Pesquisas qualitativas foram feitas e apontaram que é possível atrair o eleitor lulista que é anti-Bolsonaro e o bolsonarista que é anti-Lula. Isso ajuda a entender também por que a campanha não pretende que Bolsonaro seja o alvo preferencial, e sim Lula.
Há ainda o desafio de alcançar as classes mais baixas. Hoje o eleitor de Moro segundo as pesquisas internas do partido está no Sul e Sudeste, tem alto poder aquisitivo e se concentra nos grandes centros urbanos.
Essa conversa por exemplo deverá estar presente no encontro que ele terá neste sábado com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. O evento é considerado chave na pré-campanha de Moro porque além deste encontro, ele participará do ato de filiação do deputado estadual Maurício Zebrick ao partido. Também está prevista a participação dele no lançamento da candidatura de Deltan Dellagnol.