‘Decotelli tem as características para ser bom ministro’, avalia Priscila Cruz
Para a presidente da Todos Pela Educação, a nomeação de Carlos Alberto Decotelli para o MEC "está no caminho correto"
A presidente-executiva da organização não governamental Todos Pela Educação, Priscila Cruz, avaliou como positiva a nomeação de Carlos Alberto Decotelli da Silva para o Ministério da Educação. A declaração foi dada em entrevista à CNN, nesta sexta-feira (26).
Priscila disse que “a nomeação de Decotelli está no caminho correto” e “é muito melhor do que o ministro anterior”.
“O [Abraham] Weintraub explodiu todas as pontes e teve uma gestão muito conturbada por toda aquela raiva e o estilo dele, que não é de um bom gestor ou preocupado com resultados educacionais”, criticou.
Segundo Priscila, o momento de pandemia exige articulação e diálogo entre o governo federal, estados e municípios.
“Restabelecer essas relações todas é um grande desafio, e o Decotelli tem as características necessárias para isso”, considerou.
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Para a presidente-executiva da Todos Pela Educação, Decotelli “é um bom gestor e uma pessoa cordata, séria e que consegue estabelecer conversas”. “Tem as características para ser um bom ministro, mas precisamos observar os próximos passos concretos e o que fará nos próximos dias”, analisou.
Crítica de Weintraub, Priscila o classificou como “inoperante, omisso e, mais do que isso, que destruiu muita coisa”.
“Foi realmente um período de grande destruição para a educação brasileira e promovida pelo governo federal”, disse. “Não consigo encontrar nenhuma marca positiva desses 14 meses”, completou.
Ela defendeu que “Decotelli tem o trabalho de reconstruir essas pontes e formar um gabinete de enfrentamento da crise na educação”, além de “afastar esse olavismo que entrou no MEC”.
“Nenhum órgão de governo tem que fazer revolução cultural nenhuma. O que precisamos no MEC é de uma gestão voltada para resultados – dos quais o Brasil precisa desesperadamente, porque estamos muito atrás nos ranking mundiais e, acima de tudo, negando oportunidades futuras para essas crianças e jovens mais pobres”, refletiu.
“Espero que o ministro entenda sua função não só para o MEC, mas para a vida de criança e jovens e para o futuro da nação, que depende de educação de qualidade”, acrescentou. “É o cargo mais importante da República hoje, porque é para fazer toda essa transformação que o Brasil tanto precisa”, concluiu.
Decotelli
Nomeado na quinta-feira (25), Decotelli foi presidente do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), órgão de execução de políticas educacionais, entre fevereiro e agosto de 2019, segundo o site do MEC – ou seja, já no governo Bolsonaro, de cuja transição também participou.
Em entrevista à CNN e em suas redes sociais, o economista deu alguns sinais de o que pensa sobre a educação brasileira e quais caminhos pretende seguir. No Twitter, escreveu que o sistema educacional brasileiro é “naufragado” e que defende a “criação de sistemas de ensino propícios ao êxito”.
À CNN, ele disse que espera restabelecer o diálogo com as universidades federais e com o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), assim como encontrar soluções para melhorar a qualidade da educação pública do país.