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    Boris Casoy: Preservando a intimidade  

    Inacreditável que o ministro Alexandre de Moraes desconheça que a Constituição brasileira separou a liberdade de expressão da ação 

    Boris Casoy

    Imaginando que o ministro Alexandre de Moraes tivesse um coelho na cartola, esperei alguns dias para abordar a questão dos empresários atingidos por uma invasão da intimidade determinada por alguém a quem cabe zelar pela aplicação correta da lei. Numa ação flagrantemente inconstitucional, esses “golpistas” tiveram seus direitos estuprados pela ânsia de censurar o pensamento e a liberdade de expressão. 

    Sabiamente, a Constituição brasileira separou a liberdade de expressão da ação. E o que o ministro fez em nome do STF foi um abuso ao direito de expressão de cada um de nós. 

    Estamos diante da imposição do “politicamente correto”, estabelecido pela prevalência da opinião de cada um de nós. O mesmo “politicamente correto” desfraldado por um amplo grupo de jornalistas da redação de um jornal paulista, clamando por censura contra aqueles poucos que ousavam se contrapor às opiniões dos ilustres escribas. 

    As verdadeiras democracias preservam as fronteiras entre a vigilância do que é público e a liberdade de expressão das pessoas. Pensar e expressar é uma coisa; agir é outra. 

    Inacreditável que o ministro desconheça esses princípios claramente expostos em nossa Constituição. Os empresários apenas conversavam em ambiente privado, colocando suas posições, corretas ou incorretas. Ninguém ali tramava um golpe. Apenas deixava fluir seu pensamento dentro de um grupo de WhatsApp supostamente protegido pelo direito à intimidade. 

    A imposição do “politicamente correto” levou milhares de jovens alemães a aderirem ao nazismo. Atingidos pela propaganda hitlerista e imaginando que colaboravam com a pátria se prestaram às mais sórdidas atitudes criminosas contra aqueles dos quais discordavam ou contra os que o regime classificava como de raças inferiores. 

    Todo o cuidado é pouco. Cabe à cidadania proteger nossa democracia contra o tipo de moléstia que acaba desembocando no autoritarismo. Ainda há tempo para isso. 

    Este texto não representa, necessariamente, a opinião da CNN Brasil. 

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