Boris Casoy: Pesquisando as pesquisas
As metodologias utilizadas caducaram ante as transformações da sociedade brasileira nos últimos anos



Trama-se tirar do cidadão e da cidadã brasileiros o direito à informação completa sobre o panorama eleitoral. Não há dúvida de que as tentativas de investigação policial e até de uma CPI contra as empresas de pesquisa são levadas a cabo para proibir o eleitor de conhecer o verdadeiro panorama eleitoral. A ideia parte da influência que as pesquisas eleitorais possam ter sobre o resultado finais dos pleitos. E podem influenciar mesmo, porque o eleitor informado navega num ambiente que lhe permite uma escolha de acordo com o que pensa e deseja. Isso fere os movimentos daqueles que buscam se eleger a qualquer preço e acreditam ser a palavra “democracia” um instrumento a serviço de quaisquer interesses.
Os institutos de pesquisa eleitoral erraram fragorosamente no primeiro turno destas eleições. Os equívocos ultrapassaram quaisquer níveis de tolerância. No entanto, são empresas particulares e essa é uma questão a ser resolvida no âmbito do mercado. O patrimônio dessas empresas é a credibilidade. É isso que determina a sua escolha por aqueles que procuram seus serviços. A grande maioria dos institutos busca trabalhar com o máximo cuidado. É injusto atribuir-lhes manipulação, embora não seja impossível que facínoras e aventureiros tentem falsificar pesquisas.
Afinal, o que teria levado aos aos erros dos principais institutos no primeiro turno? Ainda não se sabe exatamente. Provavelmente, acumulou-se uma série de fatores. Um deles: as metodológicas utilizadas caducaram ante as transformações da sociedade brasileira nos últimos anos. Oficialmente essas transformações são obvias, visíveis, mas não chanceladas cientificamente devido aos atrasos na realização do censo.
Outro fator a ser considerado refere-se a peculiaridades devidas ao chamado voto útil, ou seja, uma conversão de eleitores às vésperas da data do pleito visando derrotar esse ou aquele candidato. Nesse caso, os prejuízos ficaram com Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB); os lucros foram dividido entre Lula e Bolsonaro. Aliás, Lula pregou o voto útil supondo ser o único beneficiário dessa ação. Errou e errou feio.
Pode-se acrescentar a isso o tal “voto envergonhado”, quando o pesquisado mente ou se recusa a declarar como vai votar. Numa das eleições municipais paulistanas isso ocorreu quando Luiza Erundina, então no PT, derrotou Paulo Maluf, franco favorito nas pesquisas.
Certamente, haverá mais fatores que levaram a esse desastre dos institutos. Não se pode excluir até uma boa dose de incompetência. Por isso, terão sua credibilidade reduzida. Mas puni-los com CPIs e inquéritos significa jogar fora dinheiro público.
Este texto não representa, necessariamente, a opinião da CNN Brasil.