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    Eleições 2022

    Boris Casoy: Partidos sem democracia

    Falta autenticidade democrática a quase todos os partidos brasileiros; muitos deles são verdadeiros feudos

    Boris Casoy

    Na entrevista concedida nesta semana a William Waack, aqui na CNN, o ex-presidente Lula, candidato a um novo mandato no Palácio do Planalto, afirmou que, se eleito, seu ministério será composto por políticos. Para ele, aqueles que integram o leque partidário de sustentação da sua campanha devem governar junto com o presidente da República.

    Isso é politicamente natural, segundo ele. E citou exemplos de democracias como França, Inglaterra e Alemanha, onde os cargos de governo são preenchidos por políticos dos partidos participantes da coalizão de governo.

    Ao eleitor incauto, o exemplo serve para demonstrar a justeza na escolha de políticos para auxiliares na condução do governo brasileiro. Lula teria razão se não fossem algumas diferenças que marcam a política neste país em relação às nações que ele citou. Nosso sistema de eleições com voto proporcional e não distrital diz muito a esse respeito.

    Pouquíssimos países no mundo — dois ou três — adotam sistemas semelhantes ao nosso. Na maioria dos países do planeta, a eleição é realizada por voto distrital ou distrital misto. Isso torna as campanhas eleitorais, circunscritas territorialmente, mais baratas, possibilitando uma gama maior de candidatos.

    Além disso, falta autenticidade democrática a quase todos os partidos brasileiros. Muitos deles são verdadeiros feudos, sem qualquer democracia interna. Candidatos são escolhidos pelo “cacique” partidário, sob critérios muitas vezes obscuros e suspeitos. Alguns partidos colocam-se à disposição do “mercado” político para serem alugados ´por endinheirados de plantão; deveriam ser regidos pela Lei do Inquilinato.

    Esse quadro exclui do panorama partidário pessoas aptas e desejosas de participar da vida política nacional. Assim, com honrosas exceções, são guindadas aos nossos parlamentos figuras patibulares, cujos objetivos não coincidem com os da população. Estão para a defesa de interesses nem sempre confessáveis ou corporações que desejam ampliar ou não perder suas “boquinhas”.

    A resultante disso é uma amostra distorcida a representar a população brasileira. É com esses políticos que Lula conta para formar seu governo. E são eles que compõem grande parte do leque de opções disponíveis para a escolha popular pelo voto.

    O resultado não poderia ser pior. Daí a necessidade urgente de democratizarmos nossos partidos. E isso só será feito com pressão popular, porque não interessa aos nossos atuais representantes mudar o atual sistema do qual são beneficiários.

    Este texto não representa, necessariamente, a opinião da CNN Brasil. 

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