Bolsonaro faz elogios a Barroso e diz que eleições seguirão “ritmo normal”
Em evento para celebrar Dia do Exército, presidente exalta atuação das Forças Armadas no que chamou de “momentos difíceis” da política nacional
O presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), afirmou na manhã desta terça-feira (19) “ter certeza” de que as eleições de 2022 seguirão o “ritmo normal”. Ele também fez um elogio ao ministro do Supremo Tribunal Federal e ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral Luís Roberto Barroso, que já foi alvo de críticas do presidente da República.
“Tenho certeza de que as eleições do corrente ano seguirão o seu ritmo normal, até porque eu quero cumprimentar aqui o ministro Luís Barroso que, enquanto presidente do Tribunal Superior Eleitoral, convidou as Forças Armadas, repito, convidou as Forças Armadas a participar de todo o processo eleitoral”, declarou.
A fala aconteceu durante cerimônia de celebração do Dia do Exército, em Brasília. Mesmo com o cumprimento a Barroso, Bolsonaro também disse que as eleições no país não podem acontecer sob um “manto de suspeição”.
“A nossa preocupação é com o cumprimento da Constituição, do bem-estar de todos, com a paz e com harmonia. Todos sabem que a alma da democracia repousa na tranquilidade e na transparência do sistema eleitoral, sistema esse que deve ser cada vez mais zelado por todos nós”, disse Bolsonaro.
“Não podemos jamais ter uma eleição no Brasil em que, sobre ela, paire o manto da suspeição. E esse compromisso é de todos nós, presidente dos Poderes, comandantes de Forças, aqui obviamente direcionado ao trabalho do ministro da Defesa. Todos nós somos importantes, somos agentes desse processo.”
Ainda em agosto de 2021, Barroso pediu ao então ministro da Defesa, Walter Braga Netto, que enviasse um representante militar para participar da Comissão Externa de Transparência do TSE. A iniciativa foi vista como uma tentativa do tribunal de contornar os ataques feitos pelo presidente contra as urnas eletrônicas.
Participaram do evento, além de integrantes do governo e membros das Forças Amadas, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, e os presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
No evento, Bolsonaro exaltou ainda o papel do Exército no que chamou de “momentos difíceis” no país, incluindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, entre eles.
“Agora em 2016, em outro momento difícil da nossa nação, a participação do então comandante do Exército, [Eduardo] Villas Bôas, marcou a nossa história”, afirmou.
Villas Bôas comandou o Exército entre 2015 e 2019. Em 2018, ele ganhou destaque por publicar um tuíte que foi interpretado como ameaça ao STF às véspera do julgamento de habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do país e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais”, escreveu o general, à época. Ele participou da celebração do Dia do Exército ao lado de Bolsonaro, nesta terça-feira (19).
(Publicado por Estêvão Bertoni)