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    Taiwan diz que aeronaves e navios da China realizam missões perto da ilha

    O Ministério da Defesa de Taiwan afirmou que as forças armadas chinesas "danificaram" seriamente o status quo da ilha

    Navios chineses realizam exercícios militares próximos a Taiwan, em maio de 2022
    Navios chineses realizam exercícios militares próximos a Taiwan, em maio de 2022 Reuters

    Yimou Leeda Reuters

    O Ministério da Defesa de Taiwan disse nesta sexta-feira (5) que um total de 68 aeronaves militares chinesas e 13 navios da Marinha estão realizando missões no Estreito de Taiwan e alguns deles cruzaram “deliberadamente” uma barreira não oficial que separa os dois lados.

    O ministério ainda condenou a China em um comunicado, dizendo que suas forças armadas “danificaram seriamente” o status quo e “assediaram” o espaço aéreo e marítimo de Taiwan.

    China dispara mísseis sobre Taiwan pela primeira vez e aumenta tensão na região

    China disse que disparou mísseis sobre a ilha de Taiwan pela primeira vez nesta sexta-feira (5), aumentando as tensões na região no momento em que a presidente da Câmara dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, chegou ao Japão, cujos líderes protestaram contra Pequim depois que cinco projéteis caíram perto das ilhas japonesas.

    Pelosi se encontrou com o primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, na manhã de sexta, com a atenção voltada para o Estreito de Taiwan, onde o exército chinês está realizando exercícios aéreos e marítimos em resposta a visita da líder da Câmara americana à ilha nesta semana.

    A China já havia disparado mísseis nas águas ao redor de Taiwan – uma ilha democrática de 24 milhões de habitantes que o Partido Comunista Chinês considera parte de seu território – principalmente durante a Crise do Estreito de Taiwan na década de 1990.

    Mas mísseis sobrevoando a ilha marcaram uma escalada significativa, com autoridades dos EUA alertando que pode haver mais por vir.

    “Antecipamos que a China poderia tomar medidas como essa – na verdade, eu as descrevi com bastante detalhes no outro dia”, disse John Kirby, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, a repórteres na Casa Branca na quinta-feira. . “Também esperamos que essas ações continuem nos próximos dias”.

    Um porta-aviões dos EUA permanecerá na área ao redor de Taiwan por mais alguns dias para “monitorar a situação”, acrescentou Kirby.

    Falando em Tóquio na sexta-feira, Pelosi acusou a China de tentar “isolar Taiwan”, apontando para a exclusão da ilha de grupos internacionais como a Organização Mundial da Saúde. “Eles podem tentar impedir que Taiwan visite ou participe de outros lugares, mas não vão isolar a ilha impedindo-nos de viajar para lá”, disse ela.

    A líder da Câmara americana acrescentou que sua visita a Taiwan foi para manter o status quo, não para mudá-lo.

    Kishida acrescentou que os exercícios militares chineses eram “uma questão séria em relação à segurança de nosso país e de seu povo” e pediu a suspensão imediata dos exercícios. O Japão e os EUA “trabalharão juntos para manter a estabilidade no Estreito de Taiwan”, afirmou.

    Avaliação de risco

    A China iniciou exercícios militares ao redor da ilha na quinta-feira (4), disparando vários mísseis em direção às águas perto do nordeste e sudoeste de Taiwan um dia após a partida de Pelosi.

    Um especialista militar chinês confirmou na emissora estatal CCTV que os mísseis convencionais sobrevoaram a principal ilha de Taiwan, incluindo o espaço aéreo coberto por mísseis de defesa taiwaneses.

    “Atingimos os alvos sob a observação do sistema de combate Aegis dos EUA, o que significa que os militares chineses resolveram as dificuldades de atingir alvos de longo alcance nas águas”, disse o major-general Meng Xiangqing, professor de estratégia da Universidade de Defesa Nacional em Pequim.

    Forças Armadas da China realizam exercícios militares com mísseis perto da costa de Taiwan / 04/08/2022 Comando do Teatro de Operações Oriental da China/Divulgação via REUTERS

    Em um comunicado na quinta-feira, o Ministério da Defesa de Taiwan disse que os mísseis viajaram acima da atmosfera e, portanto, não representavam risco para a ilha.

    As autoridades não acionaram alertas de ataque aéreo porque previram que os mísseis pousariam em águas a leste de Taiwan, disse o ministério. A pasta acrescentou que não divulgaria mais informações sobre a trajetória dos projéteis para proteger suas capacidades de coleta de inteligência.

    Acredita-se que cinco mísseis balísticos tenham caído na Zona Econômica Exclusiva do Japão, incluindo os quatro que teriam sobrevoado Taiwan, disse o Ministério da Defesa do Japão na quinta-feira.

    “Este é um problema sério que diz respeito à segurança do Japão e de seus cidadãos. Condenamos fortemente”, disse o ministro da Defesa japonês, Nobuo Kishi, a repórteres durante uma entrevista coletiva.

    A China também enviou 22 aviões de guerra para a zona de identificação de defesa aérea de Taiwan (ADIZ) na quinta-feira – todos cruzando a linha mediana que marca o ponto médio entre a ilha e a China continental acima do Estreito de Taiwan.

    As incursões de quinta-feira foram feitas por 12 caças SU-30, oito caças J-11 e dois caças J-16, disse o Ministério da Defesa de Taiwan em comunicado.

    Mais tarde na quinta-feira, o ministério disse ter detectado quatro drones voando sobre “águas restritas” ao redor das ilhas Kinmen, controladas por Taiwan. O ministério disse que os militares de Taiwan dispararam sinalizadores para alertar os drones, mas não especificou o tipo ou a origem dos dispositivos.