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    Peru abre inquérito sobre presidente e ministros após mortes em protestos

    Na segunda-feira (9), 17 civis foram mortos na região de Puno, dia mais letal de protestos desde que Pedro Castillo foi deposto

    Da Reuters

    A principal promotoria do Peru disse na terça-feira (10) que abriu um inquérito contra a nova presidente Dina Boluarte e membros de seu gabinete sobre confrontos violentos que deixaram pelo menos 40 mortos e centenas de feridos desde o início de dezembro.

    O inquérito ocorre depois que 17 civis foram mortos na região de Puno, no sul do país, na segunda-feira – o dia mais letal de protestos desde que o ex-presidente Pedro Castillo foi deposto e detido no mês passado.

    A violência continuou na terça-feira, com um policial morrendo depois que seu carro foi incendiado.

    A procuradoria-geral informou que está investigando Boluarte, Alberto Otarola, primeiro-ministro que renunciou, Jorge Chávez, ministro da Defesa, e Victor Rojas, ministro do Interior, sob a acusação de “genocídio, homicídio qualificado e ferimentos graves”.

    Grupos de direitos humanos acusaram as autoridades de usar armas de fogo contra manifestantes e lançar bombas de fumaça de helicópteros. O exército diz que os manifestantes usaram armas e explosivos caseiros.

    O gabinete do procurador-geral também disse que investigaria o ex-primeiro-ministro Pedro Angulo e o ex-ministro do Interior César Cervantes, ambos sob o comando de Boluarte por apenas algumas semanas, por seu envolvimento na condução dos protestos.

    Os gabinetes do presidente e dos ministros não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

    A expulsão de Castillo, que ocorreu depois que ele tentou dissolver ilegalmente o Congresso, provocou uma onda de protestos em todo o país.

    Os manifestantes exigem a renúncia de Boluarte, a dissolução do Congresso, mudanças na constituição e a libertação de Castillo.

    O voto de confiança, requisito constitucional após a posse de um novo primeiro-ministro, foi aprovado com 73 votos a favor, 43 contra e 6 abstenções.

    Otarola culpou atacantes organizados financiados por dinheiro “escuro” pelos mortos na segunda-feira (9). Outros 68 civis e 75 policiais ficaram feridos.

    Ele também anunciou um toque de recolher noturno de três dias em Puno, com o objetivo de conter a violência.

    Imagens da mídia local mostraram saques a empresas na noite de segunda-feira, enquanto o aeroporto da cidade de Juliaca, na região, permaneceu fechado na terça-feira, depois que 9.000 pessoas teriam tentado invadir o local.

    A ouvidoria do Peru pediu protestos pacíficos, bem como que os promotores investiguem completamente as mortes.

    O escritório observou a “extrema violência” da morte do policial, alegando que ele foi torturado antes de morrer.

    O oficial, identificado como José Luis Soncco, morreu em um veículo incendiado depois do que o comandante da polícia Raul Alfaro chamou de “emboscada” por uma multidão em Juliaca.

    “Eles o queimaram vivo”, disse Alfaro.

    A ouvidoria também condenou um incêndio criminoso na residência de um congressista de Puno, na cidade de Ilave, com familiares ainda dentro e pediu às autoridades que respeitem as normas internacionais sobre o uso da força.

    Castillo publicou no twitter na terça-feira que os mortos por “defender o país da ditadura golpista” nunca serão esquecidos.

    Ele foi condenado a permanecer em prisão preventiva enquanto é investigado por fomentar rebelião, acusação que ele nega.

    O ex-professor rural, que cumpriu menos de dois anos de seu mandato de cinco anos antes de ser afastado, diz que continua sendo o presidente legal do Peru.

    O aliado de Castillo, Evo Morales, ex-presidente boliviano que foi proibido de entrar no Peru na segunda-feira, também pediu o fim do que diz ser o “genocídio de nossos irmãos indígenas”.

    No final desta semana, uma missão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos visitará o Peru para avaliar a situação, e as Nações Unidas apelaram ao respeito pelos direitos humanos e ofereceram-se para mediar a crise.