
Waack: Cadeirada é símbolo da luta política atual
O candidato José Luiz Datena (PSDB) jogou uma cadeira contra Pablo Marçal (PRTB) após ser provocado pelo empresário durante o debate da TV Cultura



A agressão de um candidato à Prefeitura de São Paulo contra outro reflete algo sobre a política brasileira em geral, ou foi apenas um fato isolado?
A política brasileira reproduz o que acontece no exterior, mas sem perder suas características próprias.
O que ocorre no exterior é, cada vez mais, a substituição da palavra, do verbo, do discurso, pela excitação emocional provocada por medo e imagens de brevíssima duração.
Quanto ao que é característico da política brasileira, observa-se uma acentuada perda de representatividade, acompanhada da perda de confiança em instituições, como o Judiciário, os poderes da República, a mídia e, especialmente, os partidos políticos.
Além disso, nossa política sofre com a escassez de lideranças genuinamente nacionais.
A atividade política se dá, cada vez mais, no ambiente de ferocidade incontrolável das redes sociais, acentuando comportamentos tribais, que são, aliás, monetizados.
Nesse sentido, a agressão não se trata de um episódio isolado, circunscrito a um tipo de situação — o debate eleitoral — que há muito tempo perdeu sua função original.
Uma agressão acaba se tornando um forte símbolo da luta política atual, tendo um enorme impacto e chamando muita atenção, mas que não resolve nada.