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    Debate da Globo em BH tem críticas à atual gestão e acusação de inexperiência

    Candidatos se enfrentaram em último debate antes do segundo turno das eleições municipais na capital mineira

    Renata Souzada CNNMaria Caltabianocolaboração para a CNN , São Paulo

    Em um encontro marcado por troca de acusações sobre as respectivas trajetórias, os candidatos a prefeito de Belo Horizonte, Bruno Engler (PL) e Fuad Noman (PSD), participaram nesta sexta-feira (25) do último debate antes do segundo turno das eleições municipais na capital mineira.

    O debate, promovido pela TV Globo, reuniu os adversários para embates diretos pela segunda vez desde o primeiro turno.

    Os eleitores de 51 cidades brasileiras voltam às urnas neste domingo (27) para escolher novos prefeitos e vice-prefeitos.

    Críticas à atual gestão X questionamentos sobre experiência

    No primeiro bloco, os candidatos tiveram 10 minutos cada para administrar como preferirem e fazerem perguntas de tema livre.

    No início do encontro, Fuad falou sobre seu histórico na política e questionou Engler sobre sua vivência na cidade de Belo Horizonte. O atual prefeito e candidato à reeleição citou ainda o posicionamento do adversário em relação à vacina da Covid-19 e sua atuação como deputado estadual, criticando supostas falta na Assembleia Legislativa.

    “Comparação entre experiência e inexperiência, o trabalho e o não trabalho”, afirmou Fuad. Sobre as ausências do deputado, o atual prefeito ainda questionou se Engler não achava “justo” “devolver seu salário”.

    O candidato do PL introduziu sua fala dizendo que o oponente estava tentando “denegrir” sua imagem. Engler confirmou não ter tomado a vacina, mas justificou dizendo que teve orientação médica. Em relação a sua atuação parlamentar, o candidato citou projetos em que esteve a frente na Casa.

    Criticando a atual gestão, Engler afirmou que o “dinheiro do contribuinte está indo para o ralo”. O candidato ainda acrescentou dizendo que o prefeito seria “ausente nos problemas da cidade”.

    Em outro momento do bloco, Fuad citou diversas ações de sua gestão, mencionando desde obras de combate a enchentes até a construção de viadutos e postos de saúde.

    “Eu queria que o senhor olhasse o que está acontecendo, vá visitar as obras. O senhor fica no seu gabinete, provavelmente, só ouvindo informações ou construindo informações e criando os fake news que o senhor cria”, afirmou o candidato à reeleição.

    Na sua vez, Engler afirmou que iria “concluir as obras que forem importantes para a população”, mas criticou a atual gestão: “o que eu não vou concluir são obras inúteis”. “Eu não vou ficar nas promessas, eu de fato vou entregar resultados”, acrescentou.

    Na sequência, o candidato do PL questionou o adversário a respeito do contrato para a limpeza da Lagoa da Pampulha. “A Constituição prevê a não licitação em determinados casos, como é o caso da Pampulha”, respondeu Fuad.

    “Olha, gente, o prefeito pede o seu voto para continuar fazendo obras sem concorrência e sem licitação”, rebateu Engler.

    Vilas e favelas

    No segundo bloco do debate, os candidatos responderam perguntas de temas determinados. Em cada rodada, os adversário tinham 5 minutos para administrar por conta própria.

    Fuad começou, escolhendo o tema “vilas e favelas”. “Tenho feito um grande trabalho de recuperação das vilas e favelas”, disse o candidato à reeleição. O prefeito mencionou ter inserido internet grátis nos locais, além de investir em obras, como de pavimentação.

    “Temos muito mais coisas para fazer nas vilas e favelas. Temos que trabalhar para melhorar a condição de vida, dar a vocês dignidade”, acrescentou.

    Na sua vez, Engler rebateu: “As vilas e favelas de BH precisam de muito mais carinho e muito mais cuidado, não de discurso”.

    O candidato ainda disse ter ouvido relatos de moradores falando sobre má qualidade da internet citada pelo adversário.

    “A gente precisa de infraestrutura, a gente precisa melhorar o serviço de coleta de lixo e eu vou auditar os contratos da SLU, porque a gente não tem cobertura universal de lixo domiciliar em Belo Horizonte”, acrescentou.

    O candidato à reeleição respondeu às críticas dizendo que foi “abraçado” em todas as suas visitas as vilas e favelas. “Fomos cumprimentados pelo trabalho que está sendo feito lá e o senhor diz que não tem trabalho lá”, disse. 

    Transporte público

    Na rodada seguinte, os candidatos falaram sobre o transporte público na capital mineira. Engler questionou Fuad sobre a relação do atual prefeito com empresários do setor.

    “Os empresários fizeram um jantar de adesão, empresários de todas as áreas. Sete empresários foram lá, pagaram 5 mil reais cada um, do setor de transporte, para debater comigo, para discutir os problemas deles”, respondeu o pessedista. Fuad ainda questionou o suposto financiamento que Engler teria recebido de pessoas ligadas ao setor da mineração.

    O candidato do PL respondeu dizendo que seriam “lorotas” do adversário. “Eu de fato recebi uma doação de alguém que vende materiais para a construção civil e para o setor da mineração. E recebi por alinhamento ideológico”, afirmou.

    Investigação do MP

    O terceiro bloco seguiu as regras da primeira rodada. No início do embate, Engler falou sobre uma denúncia do Ministério Público referente a um caso de suposta improbidade administrativa na gestão do ex-prefeito Alexandre Kalil, de quem Fuad foi vice-prefeito.

    “Eu queria que você explicasse para o cidadão que está nos assistindo a sua relação com toda essa ‘tramoia'”, afirmou o candidato do PL.

    “Você já disse que o problema foi do governo passado, do governo Kalil. Eu não tenho nenhuma responsabilidade sobre os atos que o ex- prefeito fez”, respondeu o candidato à reeleição.

    “Não compactuo com irregularidade, se a pessoa tiver indiciamento e uma culpa formal, aí sim eu tomarei todas as providências necessárias”, acrescentou Fuad.

    Na sequência, Engler afirmou que o prefeito teria sido citado no processo. “O senhor era o maior interessado, porque só se tornou prefeito de Belo Horizonte porque o Kalil foi candidato a governador”, complementou.

    Segundo Fuad, o adversário estaria provocando motivos para o atacar e “não acha”. “A minha vida é limpa, ele está procurando alguma coisa para manchar a minha história de 55 anos.”

    Segurança pública

    Na continuação do debate, Engler questionou o prefeito sobre suas propostas para a área da segurança pública na capital e sobre a responsabilidade da prefeitura no tema.

    “Nós temos muita coisa para fazer junto com a polícia. A guarda municipal é grande parceira da polícia. Nós já colocamos mais de 800 câmeras, em parceria com a polícia militar”, afirmou Fuad.

    Na resposta, o candidato do PL afirmou que a população belo-horizontina teria “medo de frequentar o centro da cidade”.

    “Eu e a [candidata a vice] coronel Cláudia vamos construir, sim, um trabalho conjunto às forças do Estado, porque hoje isso só existe no discurso do prefeito. O que a gente vê é uma cidade cada vez mais violenta e insegura”, disse Engler.

    Crianças atípicas

    Ainda no terceiro bloco, o candidato do PL questionou o atual prefeito sobre o atendimento de crianças atípicas na rede municipal de ensino de Belo Horizonte.

    “Nós contratamos psicólogos, contratamos assistentes sociais, eles estão sendo treinados, alguns já foram treinados, para todas as escolas terem profissionais qualificados”, disse Fuad.

    Segundo Engler, sua pergunta não seria sobre psicólogos e assistentes sociais, mas sobre monitores. “Os monitores, gente, não são especializados. Isso é coisa que o prefeito já poderia, sim, ter resolvido”, afirmou.

    “Outra questão que já poderia estar sendo implementada nas nossas escolas é a questão da sala sensorial, que está no eu plano de governo. Um ambiente, uma sala na escola municipal, para você poder acalmar essa criança em momento de crise”, acrescentou o candidato.

    Na vez de Fuad, o candidato à reeleição afirmou que se preocupa com o adversário estar “desqualificando o profissional de psicologia”. “São profissionais altamente qualificados. Agora, ele precisa às vezes de um treinamento específico para determinadas coisas.”

    “São dois profissionais diferentes, prefeito: o psicólogo e o monitor. O psicólogo é um por escola, o monitor é um para acompanhar cada criança e o monitor precisa ser especializado”, respondeu Engler.

    Segurança nas escolas

    No quarto bloco, os candidatos voltaram a debater sobre temas determinados. Engler iniciou a rodada falando sobre a ausência do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) em unidades de ensino da rede municipal.

    “É ele que atesta que a escola está segura, tem todos os equipamentos para combater um incêndio, tem toda estrutura para a gente conseguir retirar, evacuar essas crianças em caso de emergência”, disse Engler. 

    Segundo Fuad, sua gestão teria recebido a Prefeitura sem documentos emitidos. “Esse documento é um documento necessário e a gente está trabalhando para concluir todos. Já fizemos 40%”, afirmou.

    De acordo com o prefeito, há outras ações de prevenção sendo feitas por sua gestão. “Nós não temos nenhum caso de risco, hoje, de incêndio nas escolas, porque as escolas já estão protegidas.”

    Em sua resposta, Engler afirmou que “40% não é um número satisfatório”. “A gente não precisa esperar a tragédia acontecer”, acrescentou o candidato do PL.

    Ainda na rodada, Engler questionou Fuad sobre uma proposta de seu próprio plano de governo para envio de merenda escolar durante os finais de semana.

    “Nós fomos o primeiro prefeito a levar merenda escolar nas férias. Mas eu acho que a sua proposta é boa, acho que a sua proposta é inteligente Pela primeira vez, eu estou vendo você apresentar uma proposta consistente, que vale a pena ser incluída no plano de governo.

    Engler respondeu dizendo que há, então, um compromisso em relação ao tema. “Que bom que as crianças vão ter merenda também aos finais de semana.”

    Os candidatos também falaram sobre o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica na capital mineira e sobre uma denúncia sindical relacionada a um processo de licitação da atual gestão.

    Emprego e renda

    O assunto seguinte do bloco foi “emprego e renda”. Fuad aproveitou a temática para questionar o adversário sobre quais suas ideias para a área.

    “Não basta você ter oferta de emprego, você tem que ter emprego de qualidade, emprego que remunera bem para que a pessoa consiga sustentar a sua família” , afirmou Engler. 

    Segundo o candidato, uma de suas ações em uma eventual gestão seria revisar o Plano Diretor visando ampliar o direito de construção no município para ampliar as vagas no setor. 

    “Eu nunca disse que não tem o que melhorar”, respondeu Fuad. 

    “Nesses dois anos e meio de governo nós já fizemos 320 eventos na cidade de Belo Horizonte, porque Belo Horizonte tem três atividades econômicas importantes: eventos, comércio e serviços”, acrescentou o pessedista.

    Apuração

    CNN acompanha, em tempo real, a apuração dos votos em todas as 51 cidades do Brasil que disputam o segundo turno neste domingo (27).

    Em Belo Horizonte, a contagem dos votos pode ser acompanhada clicando neste link.

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