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    Veja tudo o que aconteceu no rombo da Americanas e saiba o que ainda está por vir

    Dívida da empresa chega a R$ 43 bilhões após "inconsistências contábeis" durante anos; agora, a companhia tenta negociar as obrigações com os credores para se recuperar

    Fernando Nakagawa

    O ano começou e o grande assunto econômico de 2023 não teve nada a ver com o governo ou a política. A grande história é o rombo em uma das lojas mais conhecidas dos brasileiros, a Americanas. A empresa está em processo de recuperação judicial, após a Justiça acatar seu pedido na última quinta-feira. E enquanto a companhia tenta se reerguer, nas ruas as lojas continuam abertas.

    A dívida da Americanas é uma conta com muitos “zeros”. A própria empresa admite que são R$ 43 bilhões, bem maior que os R$ 20 bilhões anunciados inicialmente. Mas o que é esse rombo? Quanto a companhia deve e para quem?

    O rombo

    Basicamente, o rombo veio com um problema de registro das dívidas que a companhia tinha com os fornecedores e os bancos. Na operação, a empresa compra mercadoria dos fornecedores e, antes da venda, ela quita essa dívida com um empréstimo do banco.

    Com isso, o fornecedor recebe e a companhia paga depois a instituição bancária com os juros. Isso é legal. O problema foi na hora de registrar essas dívidas.

    Em vez de registrar a dívida financeira, a Americanas registrava no balanço a dívida com o fornecedor – que não tinha juros. E isso ao longo de vários anos, o que causou o rombo bilionário na companhia.

    Muitas dívidas da Americanas têm, em contrato, condições variáveis, e isso piora sua situação. O juro cresceu e os prazos diminuíram e, assim, a conta chegou aos R$ 43 bilhões.

    Credores

    A Americanas deve toda essa quantia para 16 mil credores, entre eles empresas, bancos e até pessoas físicas. Ao todo, 30% da companhia é composto por um grupo de três acionistas: Carlos Alberto Sicupira, Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles.

    Quando a crise estourou, os três empresários famosos chegaram a negociar com bancos e ofereceram R$ 6 bilhões para reforçar a empresa. Mas os bancos acharam pouco. Queriam pelo menos R$ 10 bilhões para começar a conversar, e as partes não chegaram a um acordo.

    Vale ressaltar que grandes fundos de investimento são credores da Americanas, como o Black Rock – o maior do mundo -, mas também tem muito investidor pequeno envolvido na história. Dos grandões até quem tem pouco caixa, são cerca de 140 mil investidores.

    Lojas continuam em funcionamento

    E enquanto isso, as lojas físicas continuam abertas e funcionando normalmente. O mesmo vale para os espaços online. O próprio Procon de São Paulo procurou a empresa quanto a isso, que afirmou: pode comprar sem medo.

    O órgão de defesa do consumidor ainda fez um levantamento das reclamações contra a empresa nos últimos dias e compararam com anos anteriores. E o volume de problemas não teve alteração significativa.

    Além dessa garantia, o IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa da Concorrência) disse que a recuperação judicial da companhia não muda em nada os direitos que os consumidores têm em relação à empresa. Ou seja, direitos como cumprimento de prazos ou troca em caso de defeito do produto adquirido seguem valendo.

    Recuperação judicial

    No processo de recuperação judicial, a empresa vai tentar renegociar as dívidas. Então, vão chamar os bancos e fornecedores para tentar descontos e novos prazos. Isso tudo é um processo que costuma demorar meses, às vezes até anos.

    Enquanto isso, a empresa poderá tentar vender alguns ativos. Por exemplo, pouca gente sabe mas a Americanas têm outras lojas dentro dos shoppings brasileiros. Ela é dona da Imaginarium, Puket, rede Natural da Terra e Hortifruti, além de metade das lojas de conveniência do país com a BR Mania.

    Esse processo todo vai levar algum tempo, mas é importante que a empresa se recupere, pois estamos falando sobre empregos diretos e indiretos.

    Leia também sobre o que é Customer Experience e como melhorar a experiência do cliente

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