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    Chile inaugura primeira planta industrial do mundo para combustíveis verdes

    A Siemens Energy, junto com a startup chilena Highly Innovative Fuels (HIF) e várias outras empresas internacionais foram as responsáveis pelo projeto

    Anne Barbosada CNN de Punta Arenas*

    Em Punta Arenas, na região de Magallanes, no extremo sul do Chile, a primeira planta industrial do mundo para combustíveis ecológicos foi inaugurada nesta terça-feira (20). A CNN Brasil foi o único veículo brasileiro a cobrir o lançamento do complexo industrial.

    A Siemens Energy, junto com a startup chilena Highly Innovative Fuels (HIF) e várias outras empresas internacionais foram as responsáveis pelo projeto, que promete ser parte de uma verdadeira revolução tecnológica. A base de todo o processo é composta por dois elementos bem conhecidos e presentes na região: o vento e a água.

    No evento, fechado para jornalistas e convidados, a confirmação: foi dada a largada para a produção dos primeiros litros dos chamados “e-fuels”, capazes de abastecer desde carros a navios e aviões, ao mesmo tempo em que reduzem as emissões de carbono. O projeto é chamado de “Haru Oni”, que significa ventos fortes na língua dos indígenas da região.

    “É uma das gasolinas mais limpas do mundo entrando em operação. Absolutamente, é uma grande inovação sendo feita agora e não no futuro”, afirma André Clark, VP Sênior LATAM da Siemens Energy.

    Na fase piloto, a produção do e-metanol atingiu 750 mil litros por ano. Mas as metas são bem mais ambiciosas: de 55 milhões de litros de e-gasoline por ano até 2025 e de 550 milhões de litros por ano até 2027. Isso é combustível suficiente para mais de um milhão de pessoas dirigirem seus carros por quase um ano.

    Durante coletiva de imprensa, autoridades chilenas e alemãs, diretamente envolvidas no projeto, reforçaram a importância de políticas e projetos focados em um futuro mais sustentável contra as mudanças climáticas.

    “Esta planta é um símbolo de um desafio gigante, pois é preciso mitigar as mudanças climáticas. Isso mostra que muitas outras coisas também são possíveis, “ disse Diego Pardow, ministro de energia do Chile

    O processo

    Para a produção em larga escala do combustível ecológico, a fábrica utiliza o processo de eletrólise, que separa a água em oxigênio e hidrogênio. Feito isso, o próximo passo é sintetizar os componentes com dióxido de carbono, gerando o metanol sintético. Com o processo de refino, a estrutura transforma o composto em gasolina.

    O novo combustível emite 90% menos CO2 na atmosfera que os de origem fóssil e não exige adaptações mecânicas dos veículos para ser utilizado. O batismo de fogo do “e-fuel” aconteceu no momento em que a montadora alemã Porsche, também parceira do projeto, abasteceu o modelo Mobil 1 Supercup. Com o tanque cheio, o carro circulou normalmente pela planta como faria com qualquer outro combustível fóssil já existente.

    Futuro

    Na fase piloto, a produção do e-metanol atingiu 750 mil litros por ano. Mas as metas são bem mais ambiciosas: de 55 milhões de litros de e-gasoline por ano até 2024 e de 550 milhões de litros por ano até 2026. Isso é combustível suficiente para mais de um milhão de pessoas dirigirem seus carros por quase um ano.

    “Esse teste é importantíssimo também para as operações no Brasil. A qualidade do vento na Patagônia é muito parecida com a do nordeste brasileiro e o potencial é gigantesco. O futuro da energia sustentável no planeta com certeza vai passar pelo Brasil e pelo Chile”, afirma Clark.

    *A repórter viajou a convite da Siemens Energy