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    Chefe do Fed diz que poderá reduzir ritmo de altas, apesar de política seguir restritiva

    Jerome Powell afirmou que novas elevações de juros serão determinadas dependendo dos próximos dados sobre a economia dos EUA

    João Pedro Malardo CNN Brasil Business , em São Paulo

    O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (27) que a autarquia pode realizar altas de juros menores nos próximos meses, mas manterá uma política monetária restritiva.

    A fala ocorreu após o banco central dos Estados Unidos realizar mais uma alta de 0,75 ponto percentual nos juros, a segunda consecutiva com o maior valor desde 1994. Com isso, os juros passaram para o intervalo de 2,25% a 2,5% ao ano.

    O esforço do Fed deverá ser de “levar a política monetária para um patamar moderadamente restritivo” até o fim de 2022, segundo Powell.

    Citando as projeções da reunião de junho, ele apontou uma taxa terminal em 2022 de 3% a 3,5%, o que indicaria uma elevação de 0,5 p.p. e duas de 0,25 p.p. nas próximas três reuniões.

    Ele ressaltou, porém, que as decisões serão tomadas “reunião a reunião” a partir dos dados mais recentes, devido às incertezas econômicas.

    Powell afirmou que, em algum momento, será necessário desacelerar o ritmo de alta de juros, mas que, ao mesmo tempo, é preciso desacelerar a economia dos Estados Unidos para baixar a inflação, atualmente no maior nível em mais de 40 anos.

    “Não há outra opção a não ser baixar a inflação”, disse Powell, destacando que é preciso resolver o problema inflacionário agora para evitar altas de juros ainda maiores no futuro.

    Ele destacou que o Fed está “altamente atento aos riscos inflacionários”, assim como a possíveis “evidências convincentes” de uma queda na inflação.

    Na visão de Powell, “deve se tornar apropriado reduzir o ritmo do aumento dos juros conforme taxas ficam mais restritivas”. Mesmo assim, ele disse que os dirigentes não hesitarão em realizar altas maiores se for necessário.

    O presidente destacou que a economia pode ter novas surpresas, e que o Fed precisará responder com agilidade para conter a inflação, mas com um esforço para evitar aumentar a incerteza no mercado.

    “É muito difícil dizer com alguma confiança como estará a economia em seis, 12 meses”, observou, e por isso ainda não há como prever o nível de juros para 2023.

    Situação da economia

    Durante a coletiva de imprensa, Powell disse que os últimos aumentos de juros foram grandes, e ainda não foram totalmente sentidos pela economia do país.

    A economia está, na visão do presidente do Fed, “resiliente”, com um mercado de trabalho ainda saudável. Medidas como geração de empregos e salários também não estão consistentes com as de um quadro de recessão, mas ele defendeu que os números do PIB precisarão ser “revisados muito significativamente”

    Powell destacou que os gastos dos consumidores “desaceleraram significativamente”, o que em parte já reflete as condições financeiras mais apertadas com as altas nos juros.

    Na avaliação dele, o crescimento dos salários segue elevado, e mesmo com desaceleração, a geração de postos de trabalhos está robusta, sugerindo uma demanda ainda sólida.

    Powell ressaltou que a redução de balanço patrimonial do Fed, que implica em uma redução de compra de ativos e reduz a liquidez na economia, tem um papel importante no combate à inflação.

    A expectativa atual do Fed, afirmou, é de um período de crescimento abaixo da tendência devido ao aperto monetário, algo “necessário para atingir a estabilidade de preços”, o que alimenta temores sobre uma recessão no país em 2023.

    “Recessão é um declínio disseminado entre muitos setores da economia, e não parece ser esse o caso agora”, disse.

    A desaceleração econômica no segundo trimestre foi “notável”, mas a economia ainda caminha para crescimento, segundo Powell.

    Mesmo assim, não há como saber ainda se a autarquia alcançará o chamado “pouso suave”, quando eleva juros para conter a inflação sem levar a economia a uma recessão.

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