Mauro Cid demonstrou alívio com depoimentos de ex-comandantes, dizem interlocutores
Segundo fontes, declarações evidenciam que ajudante de ordens não tinha poder de decisão; No entanto, investigação aponta que Mauro Cid tinha atuação ampla na trama
Os depoimentos dos ex-comandantes do Exército, general Marco Antonio Freire Gomes, e da Força Aérea Brasileira (FAB), Carlos Baptista Junior, foram recebidos com alívio pelo ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, tenenente-coronel Mauro Cid.
De acordo com pessoas próximas, Cid avaliou que as declarações dos ex-comandantes ajudam a dimensionar o seu papel tanto no governo quanto na trama golpista.
De acordo com a avaliação desses interlocutores, a fala dos ex-comandantes evidencia que o ajudante de ordens não participava das reuniões consideradas sensíveis e não tinha nenhum poder de decisão, embora fosse um homem de confiança de Bolsonaro.
A investigação, porém, aponta que Mauro Cid tinha uma atuação ampla na trama golpista, incluindo a missão de mobilizar outros militares.
De acordo com o relatório da PF, a tentativa de golpe de Estado tinha seis núcleos de atuação, dos quais Cid participou de cinco: “Núcleo de Desinformação e Ataques ao Sistema Eleitoral”, “Núcleo Responsável por Incitar Militares à Aderirem ao Golpe de Estado”, “Núcleo Jurídico”, “Núcleo Operacional de Apoio às Ações Golpistas” e “Núcleo de Inteligência Paralela”.
Mauro Cid assinou um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal após passar 116 dias presos por falsificação no caso do cartão de vacina contra a Covid-19.
O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro já prestou quatro depoimentos no âmbito da delação. O último ocorreu no dia 11 de março, quando falou por quase nove horas aos investigadores.