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    Pfizer começará a testar vacina contra Covid-19 em jovens a partir dos 12 anos

    Com testes em fase 3, farmacêutica começa a incluir adolescentes em estudos e já conseguiu aprovação para vacinar crianças

    Por Maggie Fox, da CNN

    A farmacêutica Pfizer tem planos de começar a testar a sua vacina experimental contra o novo coronavírus em jovens a partir de 12 anos, e alguns pais já manifestaram interesse que seus filhos participam dos experimentos, disse um dos responsáveis pela testagem à CNN nesta terça-feira (13).

    Esse será o primeiro teste de vacina contra a Covid-19 a incluir jovens nos Estados Unidos.

    Uma equipe do Hospital Infantil de Cincinnati começará a vacinar adolescentes de 16 e 17 anos nesta semana, e passará a inscrever jovens de 12 a 15 anos mais tarde, disse o Dr. Robert Frenck, diretor do Centro de Pesquisa de Vacinas do hospital.

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    Vacina contra a Covid-19 é testada
    Número de participantes passa de 1 mil para 2 mil, divididos igualmente entre Bahia e São Paulo, onde estão sendo realizados os testes
    Foto: Siphiwe Sibeko – 27.ago.2020 / Reuters

    A empresa confirmou em seu site que tem a aprovação da Food and Drug Administration (FDA), agência regulatória dos EUA, para inscrever jovens de até 12 anos em seus testes.

    “Realmente achamos que uma vacina para adolescentes e jovens será crucial para manter a Covid-19 sob controle”, disse Frenck à CNN em entrevista por telefone.

    “Acho que uma das coisas que é importante lembrar é que, embora a taxa de mortalidade de crianças com Covid-19 seja menor do que a de adultos mais velhos, não é zero”, disse ele, observando que mais de meio milhão de crianças foram diagnosticadas com o novo coronavírus nos EUA. “Não é uma infecção inexistente em crianças.”

    As crianças podem desenvolver doenças graves e também morrer por conta do vírus e não há como prever quais irão sofrer mais com infecções, disse ele. Elas também podem desenvolver um efeito colateral raro, mas sério, da infecção pelo vírus, chamado de síndrome inflamatória multissistêmica em crianças ou MIS-C.

    Crianças também podem espalhar o coronavírus para outras pessoas mais vulneráveis, incluindo pais, avós, profissionais de saúde e outros. 

    Frenck  acredita que mais crianças foram infectadas com o novo coronavírus do que mostram os dados oficiais. “Acho que provavelmente não estamos detectando o número de crianças infectadas porque elas não estão ficando doentes o suficiente para que um pai diga que elas precisam ir ao médico”, disse ele.

    “Na maioria das vezes, em crianças, você tem um filho pequeno em casa e ele está com o nariz escorrendo e com tosse – você não vai levá-lo ao médico”, acrescentou.  “E na maioria das vezes, o que um coronavírus causa é um resfriado.”

    O FDA solicitou às empresas que conduzem pesquisas que  testem potenciais vacinas contra o novo coronavírus em diversos grupos étnicos e etários.

    A Pfizer, uma das quatro empresas a ter vacinas em testes clínicos avançados em Fase 3 nos Estados Unidos, diz que inscreveu cerca de 38 mil voluntários em seu teste. Mais de 31 mil deles já receberam a segunda de duas doses.

    Frenck informou que mais de 90 pessoas já responderam a um anúncio procurando voluntários para inscrever adolescentes no teste.

    A Pfizer desenvolveu sua vacina de duas doses contra o novo coronavírus com a BioNtech da Alemanha. O imunizante usa pedaços de material genético viral para induzir imunidade ao coronavírus.

    “Se a aprovação ou autorização regulatória for obtida, as empresas esperam fabricar globalmente até 100 milhões de doses até o final de 2020 e potencialmente 1,3 bilhão de doses até o final de 2021”, diz a compahia em seu site.

    Inclusão positiva

    A vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai, afirmou, nesta quarta-feira (14), que os testes em adolescentes são vistos com “bons olhos”. De acordo com ela, os adolescentes não foram incluídos anteriormente por não serem parte do grupo de risco, porém ressaltou que os jovens têm papel na transmissão do vírus.

    “Os adolescentes têm um papel na transmissão, apesar de não serem os grandes transmissores, porque circulam muito”, pontuou.

    O presidente de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Marco Aurélio Sáfadi, defendeu que crianças devem ser as últimas na fila de uma eventual vacina aprovada contra a Covid-19.

    Segundo ele, há dois motivos para que a eventual vacina seja aplicada primeiramente em grupos prioritários de adultos: uma razão técnica e outra de saúde pública. 

    “Os estudos que estão sendo conduzidos com essas vacinas e, caso tudo corra bem, vão permitir o licenciamento dessa vacina são testes em adultos. As crianças ainda não foram inseridas nesses estudos clínico. É uma etapa posterior desse estudo”, explicou ele.