Governo vai iniciar testes com remédio que reduziu em 94% a carga viral
Substância, segundo o ministro Marcos Pontes, não tem efeitos colaterais; resultado sairá em 4 semanas
O governo brasileiro anunciou, nesta quarta-feira (15), que vai iniciar, em breve, testes clínicos com um medicamento que teria se mostrado altamente eficiente contra o novo coronavírus, em ensaios laboratoriais, reduzindo em quase 94% a carga viral.
Em entrevista no Palácio do Planalto, para falar sobre o andamento de pesquisas brasileiras em busca de soluções para o combate à COVID-19, o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, afirmou que 500 pessoas vão participar da próxima etapa de testes, que terá 14 dias de duração: cinco de medicação e nove de observação.
Pontes afirmou que a substância, cujo nome não foi revelado para evitar um aumento na procura em farmácias antes da conclusão do estudo, é quase tão eficiente quanto a cloroquina na inibição da carga viral do novo coronavírus, mas praticamente não apresenta efeitos colaterais – ela foi capaz de reduzir 93,4% da carga viral enquanto que a cloroquina reduziu 97,6%.
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“Estamos trabalhando com outros fármacos e esse [que será testado] tem uma vantagem muito grande, ele não tem efeito colateral ou tem muito pouco efeito colateral e, por isso, pode ser empregado em uma grande faixa da população”, disse o ministro.
Além disso, o ministério informou que esse medicamento tem baixo custo e é amplamente distribuído em todo o território nacional.
Ao todo, foram testados mais de dois mil medicamentos com objetivo de identificar moléculas capazes de inibir proteínas fundamentais para a replicação do vírus, em uma estratégia conhecida como reposicionamento de fármacos.
O ministro explicou que o estudo será realizado em sete hospitais com pacientes diagnosticados com o novo coronavírus, que estejam internados. Ele disse que ficou determinada essa metodologia para que seja feito o controle da carga viral, de sintomas e também para facilitar a realização de qualquer exame que seja necessário.
“Para passar esse teste com 500 pacientes, vai depender de quantas pessoas forem internadas, mas a expectativa é que sejam concluídos em aproximadamente quatro semanas”, completou Pontes, que disse ainda que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acompanha atentamente o andamento da pesquisa.
Ele agradeceu à Comissão de Ética do Ministério da Saúde que autorizou, rapidamente, a realização dos testes clínicos.