A Baianeira leva seus 10 anos de história para o novo prédio do MASP
Chef Manu Ferraz segue fiel ao seu propósito de apresentar e valorizar a Cozinha Popular Brasileira em seu espaço no Edifício Pietro Maria Bardi, novo prédio do MASP


A Baianeira celebra 10 anos em 2025. Manter um restaurante funcionando por uma década em uma cidade como São Paulo não é tarefa fácil. E se manter não só de portas abertas, mas ocupando um espaço de destaque e relevância no cenário gastronômico, isso é conquista de poucos.
No caso d’A Baianeira é conquista de Manu Ferraz, a chef fundadora, mulher de força, com presença marcante e que não passa despercebida em nenhum lugar. Assim como sua cozinha. É impressionante como, a cada garfada da comida brasileira preparada pela mineira, nascida no Vale do Jequitinhonha, há um pedacinho de sua essência e um pedaço da história do Brasil.

Se há 10 anos mostrava aos paulistanos “o que a comida brasileira tem” em uma casinha na Barra Funda, que segue aberta e lotada, há 5 anos chegava, sem planejamento, em um dos principais museus do mundo, o MASP. O espaço era no subsolo, onde o uso do fogo era proibido (por lá, só fogão de indução, o terror dos chefs). A premissa era muito clara: “Aceitei o convite para ocupar aquele espaço, desde que pudesse manter A Baianeira com minha essência, sem concessões quanto ao Brasil, quanto à minha comida”, conta Manu.
A Baianeira vai ao MASP
O primeiro convite para ‘ocupar’ o espaço no MASP chegou de surpresa, em um dia em que Manu cozinhava na rua, em uma “barraquinha” em frente ao badalado bar de vinhos SEDE 261, em Pinheiros. Após várias reuniões com a diretoria e o conselho do museu, uma delas foi decisiva: “Cheguei na reunião com uma matula… pão de queijo, café e goiabada. Esperavam uma apresentação de PowerPoint, eu levei o que sirvo e acredito”, diz a chef. Alguns adoraram, outros não entenderam.
Entre a fatídica reunião e o convite oficial, se passaram três meses. Se, no início, o alto escalão do museu não entendeu a proposta, depois ficou claro que aquela era uma nova era para ambos. E assim começa a história: “A Baianeira vai ao MASP“. Mais precisamente no segundo subsolo do icônico espaço projetado por Lina Bo Bardi.
A chef conta que estudou o MASP e escreveu um cordel explicando por que ela deveria ocupar aquele espaço. Sem sócios, sem planejamento e sem dinheiro, chegou com a cara, a coragem e suas receitas. O sucesso foi imediato, a ponto de a maior parte dos frequentadores do restaurante não serem visitantes do museu, mas irem até lá “apenas” para comer no A Baianeira. Definitivamente, ser um restaurante-destino dentro do museu com a maior e mais completa coleção de arte internacional do Hemisfério Sul é um mérito e tanto.
A Baianeira no novo prédio do MASP
O novo prédio do MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), intitulado Edifício Pietro Maria Bardi, abriu para o público geral nesta sexta-feira (28). E o restaurante brasileiro deixou o subsolo e agora ocupa um lugar de destaque no térreo do novo prédio, com entrada direta para quem passa pela movimentada Avenida Paulista.

Manu deixa claro que não se trata de uma nova fase, mas de uma continuação do trabalho que vem desenvolvendo nos últimos 10 anos. Agora, porém, com mais espaço, uma cozinha com fogo de verdade e mais planejamento.
Do antigo espaço, alguns adornos e objetos de decoração seguiram com ela, como as incríveis cadeiras Girafa, de Lina Bo Bardi, mas o tom terracota que dominava o ambiente anterior foi substituído pelo preto, que ganha força. As louças são todas novas e de marcas nacionais, as taças foram escolhidas a dedo na Cristaleria Nacional, e os uniformes, assinados por André Namitala, da Handred. Ou seja, tudo dialoga com o que a chef tanto profetiza: contar e valorizar a história do Brasil por meio da comida, dos objetos, das roupas, das técnicas utilizadas e dos insumos.
A proposta d’A Baianeira, que parte do regional para alcançar o Brasil, honra o que a chef chama e defende como sendo a Cozinha Popular Brasileira. O cardápio apresenta pratos e quitutes que fazem parte da identidade brasileira. Como a própria Manu diz: “Não sou cozinha afetiva, não sou comida de mainha. Eu sou a transformação de todas essas mulheres [que fizeram e fazem a história da gastronomia brasileira]. O arroz-feijão é identitário. É nosso lugar de salvação. E, para fazer um bom arroz-feijão, tem que ter técnica, viu”.

Uma cozinha que honra a trivialidade e se recusa a “descontruir” um baião ou um prato típico, mas que os engrandece. Um exemplo disso é o novo item do menu, o bacalhau com caruru (R$ 143), onde o famoso pescado, normalmente a grande estrela de qualquer prato em que aparece, vira coadjuvante ao lado do potente caruru.
O famoso picadinho de carne de panela (R$ 69); o baião de dois sirizado (R$ 78); a moqueca de peixe e vatapá das Deusas (R$ 99); a galinhada caipira com talharim da casa em seu próprio molho e folhas de mostarda (R$ 75) e a costelinha de porco caramelizada com pirão de feijão (R$ 79) seguem no menu da nova casa, assim como os pratos fixos de alguns dias da semana, como a feijoada maravilha às quartas e aos sábados (R$ 85).
De novidade, além do bacalhau, há o galeto ao falso molho pardo, cogumelos e purê de mandioquinha (R$ 78), no qual o sangue é substituído por um denso molho de chocolate, representando a mistura que faz a cozinha brasileira se reinventar; e a moqueca de ostra e ovo caipira (R$ 110), que há tempos aparece como especial no menu da casa e agora chega para ficar. Também passam a integrar o menu as entradas: vieira com banana e calda de maracujá (R$ 46); barriga de porco e feijões (R$ 42); ceviche de maxixe (R$ 34) e mini arroz de jambu e presunto cru (R$ 44), resultado de uma recente visita da chef ao Pará.

Assinada pelas sommelières Daniela Bravin e Cassia Campos, o novo espaço também chega acompanhado de uma carta de vinhos repaginada, criada especialmente para celebrar os dez anos d’A Baianeira.
Outra grande novidade é o bar, com uma carta de coquetéis renovada, assinada por Chula Barmaid, que se apoia na ideia de transformação para as criações e que promete drinques potentes no sabor, mas mais suaves no álcool. A exemplo, vale provar o Bloody de goiabas assadas (R$ 40); a Jabuticaba de Minas (R$ 37); e o suave Cremoso de maracujá feito com cachaça com infusão de especiarias (R$ 39).

Também no térreo do prédio, a chef comanda o A Baianeira Café, com menu que oferece opções como o sanduíche de porco e requeijão moreno (R$ 42); salada de pupunha crua, vagem, laranja e cuscuz de arroz (R$ 46); talharim de palmito pupunha, molho de requeijão moreno e paçoca de carne de sol (R$ 49); e pamonha com camarão (R$ 45). Para adoçar, há pedidas como bolo de coco gelado (R$ 25).
Um restaurante que, ao longo de seus 10 anos, traz clareza em seu conceito e se mantém fiel às suas raízes.
A Baianeira MASP: Av. Paulista, 1500 – Bela Vista – Edifício Pietro Maria Bardi (piso térreo) / WhatsApp +55 (11) 91107-4074 / Horários: terça a domingo, das 12h às 16h / Café: terça a quinta, das 10h às 20h; sexta, das 10h às 21h; sábado e domingo, das 10h às 18h.
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