PMMA: o que é e por que é perigoso para saúde
Substância utilizada como preenchedor é utilizada em cirurgias plásticas e procedimentos estéticos no rosto e corpo, médicas explicam as possíveis complicações de deixá-la no corpo


O PMMA é usado como preenchedor em procedimentos estéticos. Afinal, o que é essa substância e por que é perigosa?
Em 2024, a influenciadora Mariana Michelini perdeu os lábios devido ao uso da substância, sem seu conhecimento, em uma harmonização facial. No mesmo ano, o assunto volto à tona quando a tambpem influenciadora e coach Maíra Cardi contou que pretendia fazer uma cirurgia plástica para tirar o PMMA do rosto. Depois ela ainda comentou como um médico se recusou a fazer o procedimento de retirada.
PMMA é a sigla para polimetilmetacrilato, uma substância que já foi muito usada como preenchedor, mas se mostrou arriscada devido uma série de complicações apresentadas por pacientes que a usaram. Ela acabou substituída pelo ácido hialurônico, que é considerado “biocompatível”, ou seja, que o corpo não tem risco de rejeitar.
Segundo o Conselho Federal de Farmácia, o PMMA pode ser encontrado em lentes de contato, implantes de esôfago e cimento ortopédico – no entanto, quando falamos de estética, essa substância pode ser usada para preenchimento cutâneo, para áreas como glúteos e boca.
Quais os riscos de ter PMMA no corpo?
“O PMMA possui alta taxa de complicação a longo prazo, podendo manifestar reações mesmo após anos da aplicação, como nódulos e inflamação”, descreve a dermatologista Dra. Mônica Aribi, sócia efetiva da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
O PMMA pode causar complicações assim que aplicado, como problemas vasculares ou mesmo uma embolia pulmonar, como explicou a médica Eliane Palermo, membro do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) e da SBD.
E quando isso não acontece de cara, ao longo do tempo ele pode levar a processos inflamatórios perigosos, ocasionando até mesmo necrose do tecido, ou seja, a morte celular da região em que foi aplicado.
Em 2014, o caso de Andressa Urach foi bastante divulgado, mostrando os perigos desse preenchedor. Em julho, a influenciadora Aline Ferreira morreu após procedimento estético com PMMA aos 33 anos.
Ela também explica que o grande atrativo do PMMA anteriormente era seu baixo custo, aliado à uma permanência na região aplicada – o ácido hialurônico, por ser uma substância já presente em nosso organismo, costuma ser absorvido com o tempo, sendo necessário realizar reaplicações periódicas.
Aribi ainda acrescenta que mesmo que o PMMA não cause problemas físicos, seu resultado nem sempre é o melhor. “Isso porque o processo de envelhecimento pode causar mudanças estruturais [no rosto e no corpo] que não são acompanhadas pelo produto, tornando-o mais proeminente e gerando efeitos inestéticos”, reforça a dermatologista.
Retirada do produto também é complexa
Outro ponto de atenção é a dificuldade em retirar essa substância do organismo, uma vez aplicada. “É uma substância que não conseguimos remover de maneira isolada. Então, se necessária devido a complicações, essa remoção pode danificar os tecidos preenchidos, causando deformação”, considera a dermatologista Aribi.
É perigoso fazer preenchimentos?
Aribi reforça que, com substâncias seguras e indicadas, não há o que temer. “Na verdade, apesar de ser aprovado pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] para fins estéticos e reparadores, o PMMA é hoje pouco utilizado em preenchimentos por dermatologistas e cirurgião plásticos e não é recomendado pela SDB e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Atualmente, a substância padrão para preenchimentos é o ácido hialurônico”, afirma a médica.
Como já explicado, o ácido hialurônico é biocompatível com o corpo humano, já que é uma substância que já existe no organismo, o que o torna mais seguro. Isso também faz com que ele seja absorvido pelo corpo em cerca de um ano, o que permite a reaplicação periódica que, apesar de parecer desvantajosa, ajuda na adequação do procedimento às mudanças causadas pelo avançar da idade.
Outra opção de preenchedor é a gordura, que é retirada do próprio paciente por meio de lipoaspiração, procedimento chamado de lipoenxertia. “Após tratada, essa gordura é reinjetada na pele para promover volume. Por isso, não tem risco de rejeição”, comenta a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro da SBCP.
Ele reforça que uma das vantagens do método é que apenas parte da gordura é reabsorvida, o que ajuda na manutenção dos resultados.
O que diz a Anvisa?
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o produto é autorizado apenas para tratamento reparador, como correção volumétrica facial e corporal (em casos de sequelas de doenças como poliomielite) e de lipodistrofia (concentração de gordura em algumas partes do corpo provocada por medicamentos antirreotrivirais em pacientes com HIV/Aids).
Ainda segundo a agência reguladora, o PMMA só pode ser aplicado por profissional médico ou odontólogo habilitado, sendo este o responsável por determinar a quantidade necessária para cada paciente.
A Anvisa ainda reforça que o PMMA não é indicado para procedimentos de fins estéticos.
*Com informações de Giovanna Bronze, Giovana Christ e Raphael Bueno, da CNN