Correspondente Médico: Como lidar com a ansiedade na pandemia?
'É um momento muito diferente de tudo o que já vivemos antes', diz o médico Fernando Gomes, que falou sobre saúde mental em tempos de pandemia da Covid-19
O Novo Dia estreou, nesta segunda-feira (15), o quadro Correspondente Médico, que busca responder dúvidas sobre saúde em geral na pandemia. Neste primeiro dia, o neurocirurgião Fernando Gomes falou sobre ansiedade e saúde mental em tempos de pandemia da Covid-19. Também respondeu a dúvidas sobre prevenção, assintomáticos e testes em meio a reaberturas e flexibilizações por todo o país.
“É um momento muito delicado e diferente de tudo o que já vivemos antes. Estamos voltando para um processo do que a gente considera um novo normal, então mais do que nunca as pessoas estão com sua saúde mental em xeque, além de toda essa preocupação que a gente tem com a questão biológica do novo coronavírus”, analisou ele.
O médico avaliou que o isolamento social tem um lado bom – de fazer o controle da taxa de contaminação –, mas outro que, nas palavras dele, é “muito preocupante”. “Porque coloca em evidência a saúde mental”, explicou.
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“Em um primeiro momento, a ansiedade, a depressão e a insônia aumentaram, e as pessoas passaram a ter um comportamento de compulsão alimentar”, exemplificou.
“Em um segundo momento, que é o que a gente está vivendo agora, tem essa euforia da reabertura. É lógico que as pessoas imaginam que tocou uma sirene e pode sair livremente para a rua, mas a realidade não é essa. Vamos voltar, mas com responsabilidade”, acrescentou.
Gomes também falou sobre o medo de sair de casa. “O novo momento de adaptação precisa acontecer. Quando a gente vê muitas pessoas indo ao shopping e voltando ao trabalho, não imagina que há pessoas com muito medo de sair. A agorafobia, que é medo de ficar em público, tem um novo nome, que é o coronafobia, o medo muito grande de contrair o vírus”, disse.
“Existe um universo silencioso que coabita na mente das pessoas, e é justamente disso que precisamos cuidar”, afirmou.
O médico ainda alertou que “é preciso sair com consciência”. “Não adianta nada uma pessoa colocar máscara e outra não. Precisamos lidar dessa forma senão não vai funcionar”, considerou. “[Diminuir os casos] depende do nosso comportamento atual”, completou.
O especialista explicou que o cérebro humano ama fazer escolhas e se sente mais tranquilo tendo opções. No entanto, “muitas vezes, isso acaba não sendo a coisa mais inteligente” nesse momento de reabertura.
Tecnologia

Respondendo a telespectadores sobre a importância do contato físico, o médico citou como isso ativa o olfato e faz a liberação de ocitocina, que dá a sensação de prazer e pertencimento.
Ele classificou que alcançar essa sensação é o “desafio no dia de hoje”, mas que, em tempos de pandemia, a tecnologia pode ajudar no vínculos afetivos. “Nosso cérebro tem a capacidade de se adaptar e redesenhar esse novo normal”, assegurou.
Exercícios
O médico ressaltou os benefícios dos exercícios físicos ao ar livre, principalmente em tempos de saída do isolamento social. “Você pode e deve caminhar ao ar livre. A saúde mental está totalmente relacionada à prática de exercícios físicos regulares”, orientou.
“E quando você tem contato com a natureza em uma situação aberta – mesmo de máscara e mantendo distância [de outras pessoas] – você permite que os raios solares tenham contato com a sua pele e que essa iluminação tenha contato com seu cérebro através da retina, o que faz com que ele [o cérebro] seja estimulado de uma forma diferente. Muitos neurotransmissores são liberados e isso favorece que o nosso equilíbrio emocional seja alcançado”, acrescentou.
Além disso, segundo o médico, o cheiro de árvores e da natureza ainda ativa o sistema olfativo, o que aciona uma parte relacionada ao prazer e outra que tem relação com a memória. “Você aciona um circuito cerebral e traz para você uma sensação de pertencimento, o que é muito benéfico. E traz o equilíbrio que precisamos para lidar com essa nova situação e voltar para esse novo normal de uma forma eficiente”, concluiu.
(Edição: Sinara Peixoto)