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    Infecção por “superbactéria” deixa cinco bebês mortos em hospital de Cuiabá

    Pacientes chegaram ao Hospital Estadual Santa Casa infectados pela bactéria resistente Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC), de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde

    Lucas RochaThais MagalhãesGabriele Kogada CNN , em São Paulo

    Cinco bebês morreram no Hospital Estadual Santa Casa, de Cuiabá, no Mato Grosso, devido à infecção por uma bactéria multirresistente, chamada Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC). De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT), os pacientes já estavam infectados pela bactéria quando foram internados no hospital estadual entre os dias 16 e 21 de fevereiro.

    Saiba o que é, quais são os riscos e o tratamento da infecção por Klebsiella pneumoniae aqui.

    As crianças foram encaminhadas de outras unidades de saúde, que não são geridas pelo governo do estado, segundo a secretaria. O diagnóstico foi realizado no recebimento dos pacientes, a partir de exames protocolares de vigilância, com o objetivo de determinar o tipo de leito e isolamento necessário para a internação.

    Em nota, a secretaria afirma que as infecções deveriam ter sido identificadas e tratadas antes, quando os pacientes ainda eram assistidos por outras unidades de saúde. Além disso, a ação rápida pode evitar o agravamento do caso e um surto pela bactéria.

    Ainda segundo a pasta, as infecções foram consideradas graves no momento da internação dos pacientes. Os medicamentos necessários e assistência foram oferecidos aos pacientes.

    Os leitos ocupados pelos pacientes infectados foram bloqueados, desinfectados e estão em pleno funcionamento. Por fim, a secretaria informou que as equipes da vigilância do estado e do município, do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foram notificadas e também auxiliaram no processo contenção da infecção.

    A CNN entrou em contato com a Anvisa, a Polícia Civil e o CRM de Mato Grosso. Em nota, a Anvisa afirmou que está acompanhando o caso e levantando dados junto às autoridades sanitárias locais.

    Já o CRM-MT afirmou à CNN que foi acionado para apurar a denúncia ‘ex ofício’, quando o próprio conselho instaura uma investigação baseada em matérias jornalísticas.

    “O caso em questão será apurado e julgado, dentro dos princípios da legalidade com direito a ampla defesa e ao contraditório, e quando necessário um processo ético será instaurado e julgado da mesma forma, sendo as punições aplicadas, quando cabíveis, como prevê a lei”, disse a nota do conselho.

    O que são superbactérias

    A resistência de microrganismos aos antibióticos é uma das maiores ameaças à saúde global atualmente. O problema está associado diretamente ao uso excessivo e incorreto dos antibióticos disponíveis.

    O aumento no número de bactérias resistentes aos medicamentos, chamadas popularmente de superbactérias, coloca em risco a saúde de humanos e de animais em todo o mundo.

    Os antibióticos são medicamentos capazes de matar ou inibir o crescimento de bactérias. A sua eficácia está associada diretamente ao agente causador da infecção. Isso significa que nem todos os antibióticos são adequados para o tratamento de uma mesma infecção. Por isso, esses medicamentos devem ser utilizados apenas no combate a infecções bacterianas e de acordo com a prescrição médica.

    A resistência aos antibióticos acontece quando determinada bactéria se modifica em resposta ao uso dos medicamentos. Além do uso indiscriminado de antibióticos, a falta de sistemas de saneamento eficazes, com o lançamento de esgoto de hospitais e domicílios no ambiente sem o tratamento adequado, também favorece o aumento da resistência. Na natureza, as bactérias entram em contato com outros microrganismos e resíduos de antibióticos, o que gera novos processos de seleção e resistência.

    A resistência eleva os custos de tratamentos, prolonga a permanência dos pacientes nos hospitais e aumenta os índices de mortalidade. Conforme os antibióticos vão se tornando ineficazes, o número de infecções que se tornam mais difíceis de tratar também tende a aumentar.

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