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    HIV: o que é, principais sintomas e tratamentos

    Entenda como funciona o tratamento e por que pessoas com carga viral indetectável não transmitem o vírus

    Lucas Rochada CNN

    Causador da Aids (sigla em inglês para Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), o vírus HIV pode afetar as células de defesa do organismo e enfraquecer o sistema imunológico.

    Hoje, são mais de um milhão de pessoas vivendo com o vírus no Brasil, de acordo com estimativa do Ministério da Saúde.

    Nem sempre o vírus evolui para Aids, mas o conhecimento sobre sinais, o diagnóstico e a conscientização sobre o tratamento são fundamentais para evitar esse agravamento.

    Quando tratado corretamente, acontece uma redução da carga viral e o risco de transmissão do vírus é controlado.
    Saiba como é transmitido o HIV, possíveis sintomas e como é realizado o tratamento do vírus.

    O que é HIV?

    HIV é a sigla em inglês para “vírus da imunodeficiência humana”. Biologicamente, ele faz parte da categoria dos retrovírus, sendo classificado em uma subfamília chamada Lentiviridae.

    Vírus desse tipo contam com um período de incubação prolongado antes do surgimento dos primeiros sintomas, podem infectar as células do sangue e do sistema nervoso, além de atacar o sistema imunológico.

    Segundo o Ministério da Saúde, entre as mais de um milhão de pessoas que convivem com o vírus no Brasil, a maior parte dos casos atinge a faixa etária dos 25 a 39 anos.

    Em 2022, segundo boletim epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, foram registrados mais de 16 mil casos da infecção.

    Qual é a diferença entre HIV e AIDS?

    Diferença entre HIV e AIDS
    Diferença entre HIV e AIDS / Imagem: Pexels/Anna Shvets

    A Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) é a forma grave da infecção pelo vírus da imunodeficiência humana. No entanto, nem todas as pessoas infectadas pelo vírus desenvolvem a Aids, e o tratamento é fundamental para evitar que isso aconteça.

    Quais são os possíveis sintomas do HIV?

    O Ministério da Saúde explica que os sinais variam de acordo com a evolução do quadro e os primeiros sintomas do HIV podem ser similares ao de um quadro gripal.

    Segundo o órgão, existe um período assintomático, que pode durar anos. No entanto, os possíveis sintomas da infecção incluem:

    • febre;
    • diarreia;
    • mal-estar;
    • emagrecimento;
    • suores noturnos;
    • enfraquecimento do sistema imunológico.

    Como o vírus ataca as células de defesa do organismo, sem tratamento, a imunidade baixa e o corpo fica mais suscetível a infecções e doenças chamadas de oportunistas, como tuberculose, hepatites virais e pneumonia, conforme esclarece o Ministério.

    Como ocorre a transmissão do HIV?

    Segundo o Ministério da Saúde, a transmissão do vírus pode ocorrer por vias sexuais e contatos com fluidos corporais, em situações como:

    • uso compartilhado de seringa;
    • transfusão com sangue contaminado;
    • sexo vaginal, anal ou oral sem preservativo;
    • uso de instrumentos perfurocortantes não esterilizados.

    Além disso, mães infectadas também podem transmitir o vírus durante a gravidez, o parto ou a amamentação.

    No entanto, o Ministério da Saúde esclarece que, com tratamento adequado no pré-natal, parto e pós-parto, essas mães têm 99% de chances de evitar a transmissão para os filhos.

    O Ministério também esclarece as situações em que não ocorre transmissão:

    • lágrimas e suor;
    • doação de sangue;
    • sexo com preservativo e masturbação a dois;
    • banheiro, piscina, assento de ônibus ou pelo ar;
    • compartilhamento de itens de higiene, como sabonetes;
    • beijo na boca ou no rosto, bem como apertos de mão e abraços;
    • compartilhamento de objetos como talheres, copos, lençóis e toalhas.

    “Uma correta compreensão sobre transmissibilidade/intransmissibilidade tem efeitos positivos sobre o estigma e o autoestigma, direitos sexuais e reprodutivos, testagem, vinculação aos serviços de saúde e adesão ao tratamento”, diz o Ministério.

    O que acontece durante a infecção?

    Os vírus são estruturas microscópicas simples, de tamanho menor que outros parasitas como fungos e bactérias.

    Eles precisam necessariamente de uma célula viva para sobreviver e se multiplicar.

    Quando um vírus invade o organismo, ele adere às células humanas com o objetivo de se instalar e produzir inúmeras cópias de si mesmo. Esse processo acontece repetidas vezes, dando início à infecção.

    Na primeira fase, chamada de infecção aguda, ocorre a incubação do vírus, que é o período entre a exposição e o surgimento dos primeiros sinais da doença.

    A incubação pode variar de três a seis semanas. Já os primeiros anticorpos contra o vírus são produzidos pelo organismo de 30 a 60 dias.

    Durante a infecção pelo HIV, as inúmeras cópias do vírus têm como alvo principal células de defesa chamadas linfócitos T-CD4+, conhecidas comumente como glóbulos brancos.

    Essas células do sistema imune são responsáveis por identificar, memorizar e destruir agentes invasores, que podem ser vírus, bactérias, entre outros microrganismos.

    O que é carga viral?

    Como o HIV é transmitido?
    Como o HIV é transmitido? / Imagem: Shutterstock/Billion Photos

    Carga viral é a quantidade de vírus presente no sangue do paciente – ou seja, quanto mais cópias o vírus produz, maior é a carga viral no organismo.

    Pessoas vivendo com o vírus da imunodeficiência humana em tratamento e com carga viral indetectável há pelo menos seis meses não transmitem a infecção por via sexual.

    O termo Indetectável = Intransmissível (I = I) é adotado por cientistas e instituições de referência sobre o vírus em abrangência mundial.

    Entre as referências do conceito estão três amplos estudos sobre a transmissão sexual do vírus entre milhares de casais sorodiferentes, situação em que um dos parceiros vive com a infecção e o outro não.

    Nas pesquisas, realizadas entre 2007 e 2016, não foram detectados casos de transmissão sexual do vírus a partir de uma pessoa que vive com HIV com carga viral suprimida para o parceiro com a sorologia negativa.

    Os estudos foram publicados nos principais periódicos científicos do mundo, incluindo a revista Lancet, o New England Journal of Medicine (NEJM) e o Journal of the American Medical Association (JAMA).

    “Nesses estudos, se verificou que quando o parceiro infectado estava com a carga viral abaixo do limite de detecção do teste, que normalmente são 40 cópias do vírus por ml de sangue, ou seja uma quantidade muito baixa mesmo, não houve transmissão”.

    Isso foi o que explicou a pesquisadora Sylvia Teixeira, virologista do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), no Rio de Janeiro. “Por isso, se estabeleceu o conceito de que indetectável é igual a intransmissível”, complementou.

    No Brasil, o conceito é descrito em nota informativa do Ministério da Saúde publicada em 2019. No documento, a pasta reforça que o conhecimento sobre a transmissibilidade do vírus contribui para reduzir o estigma da doença.

    Em dezembro de 2018, o Ministério da Saúde lançou a campanha “Indetectável”, que reúne uma série de depoimentos de pessoas de diferentes idades que relatam como é viver com o vírus e a carga viral em níveis indetectáveis.

    Como é a evolução da infecção do HIV para a Aids?

    A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana pode ter uma evolução benigna, esclareceu o médico Fernando Gomes, em entrevista à CNN, no quadro Correspondente Médico.

    No entanto, o estágio inicial pode evoluir para uma segunda fase em alguns casos.

    “Caso o vírus venha a se sobrepujar perante às células de defesa do corpo humano, pode aparecer o que a gente chama de Aids, a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida”, explicou.

    Fernando Gomes também explicou quanto tempo demora para sentir os sintomas do HIV. “Geralmente de duas a três semanas após esse momento em que o vírus fica incubado”, esclarece.

    Confira a entrevista completa sobre o tema:

    Como é feito o diagnóstico do HIV?

    O diagnóstico de infecção pelo vírus causador da Aids é feito por meio de testes rápidos, com coleta de sangue ou fluido oral. Esses testes são responsáveis por identificar anticorpos contra o vírus.

    Segundo o Ministério da Saúde, existem testes que verificam a presença viral em cerca de 30 minutos.

    Diagnóstico de HIV
    Diagnóstico de HIV / Imagem: Shutterstock/Tamer Adel Soliman

    A infecção pode ser detectada em até 30 dias após a exposição a uma situação de risco – como relações sexuais sem preservativo, por exemplo.

    Esses testes estão disponíveis gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e também nos CTAs (Centros de Testagem e Aconselhamento). É possível realizá-los de forma anônima. (saiba onde fazer o teste).

    Como funciona o tratamento do HIV?

    O tratamento do vírus causador da Aids é realizado a partir do uso de medicamentos antirretrovirais, que impedem justamente o processo de replicação viral no organismo humano.

    Ao bloquear a produção de novas cópias do vírus, os medicamentos agem na redução da carga viral no sangue. O objetivo do tratamento é reduzir a carga viral a níveis indetectáveis pelos exames clínicos, para evitar o enfraquecimento do sistema imune.

    O Ministério da Saúde recomenda que o exame de carga viral seja realizado a cada seis meses, para o monitoramento da infecção e da adesão ao tratamento.

    “Hoje, as pessoas têm a mesma expectativa de vida, compatível de uma vida saudável, com remédios mais modernos e com qualidade de vida”, afirmou o médico infectologista Álvaro Furtado, em entrevista à CNN.

    Avanço nas tecnologias contra o vírus

    Os primeiros medicamentos antirretrovirais surgiram ainda na década de 1980. Em março de 1987, a Food and Drug Administration (FDA), órgão semelhante à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil, aprovou o primeiro medicamento para o tratamento da Aids.

    Esse medicamento foi a Zidovudina (também chamada de azidotimidina ou AZT). Os primeiros remédios apresentavam fortes efeitos colaterais, o que tornava difícil a adesão ao tratamento.

    Com o avanço da tecnologia em áreas como a medicina, a virologia e a farmacologia, os benefícios vão além de reduzir a carga viral e preservar as funções do sistema imune.

    O diagnóstico e o uso regular dos remédios contribui para aumentar a qualidade de vida de pessoas que vivem com o vírus, assim como evitar o desenvolvimento da Aids.

    Com o funcionamento adequado das defesas do organismo, também são reduzidos os riscos de internações e de infecções oportunistas.

    Os antirretrovirais são distribuídos no Brasil pelo Sistema Único de Saúde, o SUS, desde 1996. São pelo menos 22 medicamentos, em 38 apresentações farmacêuticas diferentes, de acordo com o Ministério da Saúde.

    Em 2021, a Anvisa aprovou um novo medicamento para o tratamento de HIV que combina duas substâncias diferentes em um único comprimido.

    O medicamento reúne a lamivudina e dolutegravir sódico, já utilizadas anteriormente como remédios separados no esquema de tratamento antirretroviral.

    Chamado de Dovato, esse remédio será distribuído pelo SUS e deve ser disponibilizado até dezembro de 2023, segundo o Ministério da Saúde.

    Além dele, a Anvisa também aprovou, em junho de 2023, medicamento injetável para prevenção do vírus, chamado de Cabotegravir.

    Ao longo dos anos, também foram desenvolvidas duas outras formas de combate a infecção, oferecidas gratuitamente pelo SUS, segundo o Ministério da Saúde:

    • PrEP (Profilaxia Pré-Exposição): uso de medicamentos antirretrovirais antes da exposição, como casos em que um dos cônjuges convive com o vírus;
    • PEP (Profilaxia Pós-Exposição): uso de medicamentos antirretrovirais após a exposição a situações de possível transmissão, como sexo desprotegido ou acidente com material biológico.

    Em 2023, cientistas eliminaram o vírus causador da Aids em testes realizados com animais. A pesquisa aplicou uma combinação entre terapias antirretrovirais e edição genética.

    Outro avanço recente mostrou também a remissão do vírus em humanos. Na Suíça, um homem tornou-se o sexto paciente a ser curado após transplante de medula óssea.

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