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    Correspondente Médico: Quando procurar um especialista para tratar o medo?

    Fernando Gomes citou que é importante se entender para reduzir o impacto desse medo e que 'existem medidas que devem ser tomadas'

    Na edição desta terça-feira (14) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes avançou no impacto que o medo pode ter na vida das pessoas e deu orientações para como identificar o momento de buscar ajuda para tratar do medo.

    “Ter medo de cobra, por exemplo, pode ser sobre preservar sua vida. O problema é que o medo pode criar um circuito vicioso em que ele mesmo se alimenta e isso pode paralisar a sua vida e produzir prejuízos muito grandes nas relações e na sensação de bem-estar”, apontou. 

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    Em alguns casos, o medo pode gerar resposta em forma de sintomas, como aumento da frequência cardíaca, dores pelo corpo, angústia, pupila dilatada e uma sensação de mal-estar – que, caso recorrentes, se tornam indicativos de que é hora de buscar por ajuda.

    O médico classifica que o sentimento pode ser uma espécie de sistema de defesa de algo que pode afetar a pessoa negativamente, mas que, em médio e longo prazo, o circuito do medo pode levar a um colapso da mente e do corpo. Por isso, é preciso estar atento aos sinais de um eventual agravamento da sensação de medo.

    “O grande problema é esse circuito se fechar, ou seja: tenho essa ameaça à vista, aciono o tronco cerebral, tálamo, amígdalas e hipocampo, passo pela adrenalina, mudo os níveis hormonais em médio e longo prazo – e isso pode me fazer entrar em colapso”, descreveu.

    Gomes citou que é importante se entender para reduzir o impacto desse medo e que “existem medidas que devem ser tomadas”, como ir a um hospital ou adotar medidas de precaução. “Isso acaba sendo muito nocivo para a nossa saúde mental quando prolongado”, concluiu Gomes.

    Atração pelo perigo

    Polícia encontra cobra naja que picou estudante no Distrito Federal
    Polícia encontra cobra naja que picou estudante no Distrito Federal
    Foto: Divulgação – Batalhão de Polícia Militar Ambiental do DF

    Outro tema abordado foi o caso do estudante de veterinária Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkul, picado por uma cobra naja no Distrito Federal, que ele mantinha de forma clandestina e teria sido contrabandeada para o Brasi.

    Ao falar sobre as explicações psicológicas em casos de pessoas que criam animais exóticos e que podem até representar risco à saúde, Gomes citou o fator curiosidade e dominação de um medo. 

    “Uma forma de interpretar seria por uma curiosidade inata relacionada a um gosto do indivíduo. A outra coisa seria a questão de dominar um medo em algo que seja aterrorizador para muitas pessoas”, afirmou ele.

    Para complementar, ele explicou como funciona o circuito da curiosidade no cérebro. “Temos uma área chamada córtex pré-frontal que faz com que a gente tenha vontade de olhar por além da fechadura. O passo inicial é a curiosidade”, explicou. 

    Por fim, o especialista afirmou que é possível que uma pessoa desenvolva atração por imagens trágicas e alertou que, conforme isso se desenvolve, ela precisa sofisticá-lo ainda mais para sentir a mesma satisfação. 

    “Porque nosso cérebro tem uma característica de ser plástico – e aprende coisas novas –, então para conseguir o mesmo prazer e satisfação precisa cada vez de uma experiência maior”, acrescentou o especialista.

    Correspondente Médico: o neurocirurgião Fernando Gomes fala ao Novo Dia
    Correspondente Médico: o neurocirurgião Fernando Gomes fala ao Novo Dia
    Foto: CNN (14.jul.2020)

     

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