Correspondente Médico: Por que a vacina chinesa pode ser menos eficaz em idosos?
A Coronavac, como está sendo chamada, está sendo testada em território brasileiro em parceria com o Instituto Butantan
Apesar de parecer segura para pessoas mais velhas, a vacina da farmacêutica chinesa Sinovac Biotech contra a Covid-19 teve respostas imunológicas ligeiramente “mais fracas” em idosos na comparação com a ação desencadeada nos adultos mais jovens.
Na edição desta terça-feira (8) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes explica por que a potencial vacina contra o novo coronavírus pode ter menos eficácia no caso dos idosos.
“Nosso corpo biológico muda ao longo da vida”, inicia o médico. “Temos uma glândula chamada timo, que fica entre os pulmões e acaba sendo muito responsável por essas células envolvidas no mecanismo de defesa – são as células T”, explica ele.
Leia e assista também:
Sinovac: conheça detalhes da vacina chinesa em parceria com Instituto Butantan
Quando teremos uma vacina eficaz contra a Covid-19?

Conforme o tempo passa, “esse órgão vai sofrendo mudanças em involução”. “De modo que, mesmo que tenha um estímulo (como a vacina), é de se esperar que as pessoas com mais idade tenham uma resposta imunológica pior em relação às pessoas mais jovens”, acrescenta o médico.
Gomes ainda afirma que “esse dado era esperado”, mas que causa preocupação o fato do efeito mais fraco ser justamente na faixa etária considerada grupo de risco para a Covid-19. “Isso faz com que a gente fique relativamente mais preocupado”, completa.
Como possibilidade de solução para isso, o especialista diz que pode ser analisada a viabilidade de idosos receberem duas doses da vacina, mas destaca que isso não é um fato, mas algo que deve ser estudado.
Coronavac no Brasil
A Coronavac, como está sendo chamada, está sendo testada em território brasileiro em parceria com o Instituto Butantan. De acordo com o diretor da instituição, Dimas Covas, a previsão mais otimista é que a imunização comece a ser aplicada no início de 2021.
O instituto firmou uma parceria com o laboratório chinês Sinovac para testar a Coronavac, uma das potenciais vacinas contra a doença e já em terceira fase de testes no Brasil. A previsão, segundo ele, é vacinar nove mil voluntários até o fim de setembro e ter os resultados disponíveis para análises a partir da segunda quinzena de outubro.
“Paralelamente a isso, já estamos trazendo essa vacina. Ela começa a chegar a partir de outubro. Até o final do ano já teremos 45 milhões de doses. Então, associando o registro da vacina com as doses disponíveis, a vacinação poderá iniciar, tudo dando certo, em janeiro do próximo ano”, acrescentou.
(Edição: André Rigue)