Correspondente Médico: Como o cérebro lida com o pavor e a tensão?
Fernando Gomes também falou sobre a saudade em tempos de pandemia


A passagem do ‘ciclone bomba’ pelo Brasil assustou moradores da região sul, além de deixar estragos por diversas cidades. Na edição desta quinta-feira (2) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes falou sobre como o cérebro humano age em momentos de extrema tensão, medo e pânico – como aconteceu em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O médico também explicou alguns impactos da saudade na saúde mental.
Ao avaliar o cenário e alguns vídeos que registram o momento de pânico de três operários em Santa Catarina, Fernando Gomes explicou como o cérebro funciona nesse tipo de situação.
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“Neste momento, o que acontece é que temos o circuito cerebral que preserva nossa vida em todas as situações. Esse sistema nervoso é acionado de uma forma diferente, liberando muita adrenalina e preparando nosso corpo para que, de fato, possamos trabalhar como ‘super-heróis'”, explicou.
Como reação ao pânico, o corpo humano reage de diversas formas. De acordo com o médico, as pupílas dilatam para melhorar nosso campo visual, pulmões extraem mais oxigênio e o coração bate mais rápido e ‘envia’ mais energia para auxiliar os músculos na situação. Intestino, estômago e bexiga ficam ‘paralisados’ devido a exigência dos demais órgãos que visam preservar a vida.
“No cérebro há uma tendência de entender a situação como se ela estivesse passando em câmera lenta. Quem já passou por um acidente, por exemplo, sabe como isso funciona. Tudo acontece muito rápido, mas o momento de impacto passa muito devagar”, acrescentou.
Efeitos da saudade
Já são mais de três meses de isolamento social em todo o país. Além de questões que envolvem a mudança de rotina, insegurança e ansiedade, as pessoas em quarentena precisam lidar com a saudade. Gomes explicou como esse sentimento impacta na saúde mental do indivíduo.
“A saudade existe, pois só temos lembranças de coisas boas. Ela pode ser usada em uma situação de gatilho, para nos ajudar. Ou ela pode também entrar em um local de saudosismo, de retorno ao passado ou de algo que a gente simplesmente perdeu – o que pode provocar situações ruins e de trauma psíquico”, disse.
As memórias ficam ‘arquivadas’ no região do lobo temporal. Ele é ativado quando algo que causou a sensação de bem-estar é ‘lembrado’ pelo indivíduo. “Essa estrutura cerebral é importante para compreender a saudade e seu impacto na sua rotina”, explica o neurocirurgião.
(Edição: Sinara Peixoto)