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    Procuradores da Lava Jato rebatem fala de Bolsonaro sobre fim da operação

    Presidente disse que "acabou com a operação e a corrupção"

    Os procuradores da força-tarefa da Lava Jato lamentaram, em nota publicada nesta quinta-feira (8), a declaração do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que disse na quarta-feira (7), ter acabado com a operação, “porque não tem mais corrupção no governo“. 

    “O discurso indica desconhecimento sobre a atualidade dos trabalhos e a necessidade de sua continuidade e, sobretudo, reforça a percepção sobre a ausência de efetivo comprometimento com o fortalecimento dos mecanismos de combate à corrupção”, disseram.

    Os procuradores também disseram que as últimas fases da operação mostram que ela é necessária. “Ainda ontem (7), na mesma data da declaração do Presidente, foi deflagrada a 76ª fase da operação, na qual houve a apreensão do equivalente a quase R$ 4 milhões em espécie em endereços de investigado pela prática de delitos contra a Petrobras”, continuam. 

    “O apoio da sociedade, fonte primária do poder político, bem como a adesão efetiva e coerente de todos os Poderes da República, é fundamental para que esse esforço continue e tenha êxito. Os procuradores da República designados para atuar no caso reforçam o seu compromisso na busca da promoção de justiça e defesa da coisa pública, papel constitucional do Ministério Público, apesar de forças poderosas em sentido contrário”, concluem.

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    Foto: Reprodução/CNN (9.set.2020)

    Bolsonaro foi eleito em 2018 no rastro da bandeira de combate à corrupção e fazendo uma defesa enfática da Lava Jato. Escalou para seu governo o ex-juiz Sergio Moro, símbolo da operação, como ministro da Justiça e Segurança Pública.

    Contudo, após desentendimentos com Moro, que o acusou de tentar interferir na Polícia Federal, o presidente demitiu-o do governo no final de abril e acabou por se aproximar de investigados na operação.

    Na manhã desta quinta, o presidente afirmou que “não dá motivos para a Polícia Federal (PF) investigar ministros” do seu governo.

    “Não tenho dado motivo para a PF ir atrás dos meus ministros, diferentemente do que acontecia no passado. Isso é um compromisso nosso não apenas verbal ou de campanha, [mas que] vem se comprovando na prática essa forma de trabalhar”, disse Bolsonaro, que acrescentou que ajuda a PF ao nomear para os ministérios com base em critérios.

    (Edição: Leonardo Lellis)

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