Presença de Salles incomodava filiados do Novo desde campanha eleitoral de 2018
Na campanha eleitoral em 2018, quando Salles concorreu a deputado federal em São Paulo, sua plataforma foi considerada “bolsonarista”


A expulsão do ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, do Partido Novo anunciada nesta quinta-feira (7), foi vista com naturalidade por políticos e eleitores filiados à sigla ouvidos pela CNN. A relação entre eles já vinha se desgastando desde o início do governo Bolsonaro, quando Salles assumiu o cargo no Ministério sem sequer avisar à legenda.
Segundo interlocutores do diretório nacional da legenda, o incômodo com a presença do ministro existia desde a campanha eleitoral em 2018, quando Salles concorreu a deputado federal em São Paulo, em plataforma considerada “bolsonarista” por seus correligionários. “Era um filiado incômodo para uma ala significativa do partido. Alguns não se incomodavam tanto e outros até o apoiavam, mas cada vez menos nos últimos meses”, disse um parlamentar do Novo.
À CNN, uma fonte próxima à direção legenda disse ainda que os problemas de Salles com a Justiça em São Paulo, justamente na área ambiental, também geravam constrangimento aos apoiadores da sigla. Em dezembro de 2018, Salles foi condenado em primeira instância por improbidade administrativa. Ele foi denunciado pelo Ministério Público de SP por favorecer empresas de mineração em alterações de mapas do plano de manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Tietê quando era secretário de Meio Ambiente de São Paulo. A defesa de Salles recorreu da sentença.
O advogado ficou conhecido por um de seus materiais de campanha que sugeria o uso de munição de armas de fogo contra “a esquerda e o MST”, a “bandidagem no campo”, javalis e roubos de equipamentos e insumos agrícolas no campo. À época, o então candidato foi advertido pela direção do partido. Quando foi nomeado ministro, Salles sequer respondeu a uma mensagem de parabéns enviada pelo fundador do partido, João Amoêdo.
A filiação de Salles já havia sido suspensa pela Comissão de Ética da legenda em outubro de 2019, sob alegação de que o ministro vinha “desdenhando de dados científicos”, “revogando políticas públicas sem qualquer debate prévio” e “atuando com absoluta irresponsabilidade” à frente da pasta.
Em entrevista à CNN, Salles disse que considera a direção do Novo de centro-esquerda. “Diz que aceita conservadores e tem uma visão de direita em vários temas, mas na prática há uma espécie de tentativa de escantear essas pessoas, porque essa visão do diretório nacional – que não é de todos os filiados – não quer a coisa conservadora, é mais centro-esquerda disfarçada de liberalismo”, criticou.
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