Ministros petistas e Gleisi repercutem delação de Cid em que Bolsonaro é acusado de reunião para articular golpe
Ex-presidente da República teria se reunido com comandantes das Forças Armadas
Em publicações nas redes sociais, lideranças do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestaram sobre a delação do tenente-coronel Mauro Cid à Polícia Federal, segundo a qual o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se reuniu com os comandos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica para discutir um golpe de Estado.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, disse que o relato de Cid justificaria a prisão do ex-presidente.
Mauro Cid, em sua delação premiada, revelou que Bolsonaro propôs ao militares a efetivação de uma ruptura constitucional, por meio de um golpe de estado. Cadeia pra ele!
— Paulo Teixeira (@pauloteixeira13) September 21, 2023
Já o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da presidência da República, Paulo Pimenta, classificou as revelações como uma “bomba”.
🚨GRAVISSIMO! Trecho da delação de Mauro Cid é uma bomba e revela o suposto envolvimento do ex-presidente na tentativa de golpe de estado. A reunião com a cúpula militar, segundo o ex-assistente de ordens, era para isso, apresentar um plano de golpe no País. Bolsonaro estava lá…
— Paulo Pimenta (@Pimenta13Br) September 21, 2023
A presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), disse que Bolsonaro “tinha a minuta do golpe nas mãos”. Segundo fontes com acesso à investigação, em uma das situações descritas por Cid, o ex-chefe do Executivo recebeu uma minuta golpista.
É grave! Bolsonaro tinha a minuta do golpe nas mãos, queria convocar novas eleições e prender os adversários. Levou a armação para a alta cúpula das Forças Armadas e o comandante da Aeronáutica, Almir Garnier, teria topado! E agora, Bolsonaro?! Vai dizer o quê?! Mauro Cid e você…
— Gleisi Hoffmann (@gleisi) September 21, 2023
À Polícia Federal, Cid afirmou que a reunião com as Forças Armadas teria ocorrido quando Bolsonaro ainda estava na presidência, após as eleições do ano passado, em que Lula foi eleito.
No encontro, a cúpula da instituição teria sido consultada sobre a possibilidade de uma intervenção militar.
A resposta da Marinha, ainda segundo Mauro Cid, foi de que as tropas estavam prontas para agir, apenas aguardando uma ordem dele. Já o comando do Exército não teria aceitado o plano.
Prevista pela lei desde 2013, uma delação premiada pode ser firmada entre investigados e o Ministério Público (autoridade judicial) ou as polícias federal e civil.
O mecanismo não constitui uma prova, em si, mas um meio de obtenção de provas. O relato precisa ser confirmado por outras testemunhas ou evidências para ter validação na investigação.
O que dizem as defesas
Em nota, a defesa de Mauro Cid cita as matérias da imprensa sobre “possíveis reuniões com a cúpula militar para avaliar golpe no país” e afirma que “não tem os referidos depoimentos, que são sigilosos, e por essa mesma razão não confirma seu conteúdo”.
Os advogados de defesa de Jair Bolsonaro (PL) emitiram um comunicado alegando que o ex-presidente “jamais compactuou” com qualquer movimento ilegal. Eles afirmam que o ex-presidente “durante todo o seu governo jamais compactuou com qualquer movimento ou projeto que não tivesse respaldo em lei, ou seja, sempre jogou dentro das quatro linhas da Constituição Federal”.
A defesa ainda alega que Bolsonaro “jamais tomou qualquer atitude que afrontasse os limites e garantias estabelecidas pela Constituição e, via de efeito, o Estado Democrático de Direito”.
Por fim, os advogados afirmaram que vão adotar “medidas judiciais cabíveis contra toda e qualquer manifestação caluniosa, que porventura extrapolem o conteúdo de uma colaboração que corre em segredo de Justiça, e que a defesa sequer ainda teve acesso”.
A Marinha do Brasil divulgou uma nota à imprensa esclarecendo que “não teve acesso ao conteúdo de delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid” e “não se manifesta sobre processos investigatórios em curso no âmbito do Poder Judiciário”.
No comunicado, a Marinha ainda reafirma que “pauta sua conduta pela fiel observância da legislação, valores éticos e transparência”. E reitera que “eventuais atos e opiniões individuais não representam o posicionamento oficial da Força e que permanece à disposição da justiça para contribuir integralmente com as investigações”.
A CNN também entrou em contato com Exército e Aeronáutica, mas ainda não teve retorno.
*Com informações de Elijonas Maia, da CNN