Judiciário está empenhado em contribuir para causa antirracista, diz Barroso
Presidente do STF fala em iniciativa para aumentar número de negros juízes, em mensagem no Dia da Consciência Negra


O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, disse que o Poder Judiciário está empenhado em contribuir com a causa antirracista e que é preciso tomar consciência para “virar o jogo” do racismo estrutural.
A declaração foi feita em vídeo divulgado nesta segunda-feira (20) pela Corte, na data que celebra o Dia da Consciência Negra.
Também nesta segunda, o ministro receberá integrantes da Bancada Negra da Câmara dos Deputados.
“Todas as estatísticas demonstram a existência de racismo estrutural na sociedade brasileira, de renda, de vítimas de violências, de encarceramento, de discriminações diversas”, afirmou.
Segundo Barroso, para virar o jogo, é preciso consciência e viver uma vida antirracista.
“O Poder Judiciário, que tenho a honra de chefiar, está empenhado em contribuir para essa causa, que não é apenas a causa do povo negro, nem só brasileira, mas a causa da humanidade. Dignidade, oportunidade, e direito à felicidade para todos. Temos tolerância zero com o racismo”, destacou.
Barroso citou ainda uma iniciativa que busca implantar, por meio de sua gestão no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de incentivo ao ingresso de juízes negros. O projeto prevê um sistema de bolsas de estudo para auxiliar os candidatos na preparação para concursos da magistratura.
“Nós vamos mudar as estatísticas do Poder Judiciário”, afirmou. “O Brasil é um país de paz, mas, também, de resistência. Percorremos um longo caminho, mas ainda há muito por fazer. O papel de todos nós é empurrar a história na direção certa”.
O ministro disse que é preciso “derrotar” o passado de injustiças no país e buscar a igualdade. Ele listou demandas da população negra.
“Precisamos ampliar o acesso à educação de qualidade, ao mercado de trabalho e de consumo, aos cargos públicos e eletivos, bem como, muito importante, às posições privadas mais elevadas.”