Instituição do voto feminino completa 92 anos
Mulheres são a maioria do eleitorado brasileiro, mas representação ainda é tímida nos três poderes


Dia 3 de novembro é celebrado o Dia da Instituição do Direito de Voto da Mulher, que neste ano completa 92 anos. A data foi criada em 1930 e a mudança foi aprovada no Senado. Porém, o voto só foi reconhecido em 1932 e incorporado à Constituição em 1934.
Até 1965, no entanto, o voto feminino era facultativo e só a partir daquele ano foi equiparado, de fato, ao voto masculino.
Atualmente, as mulheres representam a maioria dos eleitores brasileiros: dos 156.454.011 eleitores, 82.373.164 são mulheres, ou seja, 52% do eleitorado brasileiro. Porém, a representação política feminina ainda é tímida.
Nas eleições deste ano, dos 27 senadores, apenas 4 mulheres venceram a disputa. Já na Câmara dos Deputados, dos 513 parlamentares, 91 mulheres foram eleitas como deputadas federais, o que representa 17,7% das cadeiras.
Além disso, em toda a sua história política o Brasil houve apenas uma mulher no cargo de presidente da República: Dilma Rousseff (PT).
Segundo a Denilde Holzhacker, cientista política da ESPM, para a mulher ter mais representatividade no meio político é necessário ampliar os espaços.
“Em comparação com 2018, neste ano passamos de 15% para 18% de eleitas como deputadas federais, ou seja, dos 513 parlamentares, apenas 91 mulheres assumirão uma cadeia no Congresso no próximo ano. É necessário ampliar os espaços nos partidos para as mulheres terem campanhas competitivas, além disso, os novos governos poderiam se comprometer em ter paridade de gênero no alto escalão, assim, as mulheres ganhariam destaque junto aos eleitores”, pontua.
Na concepção da cientista política Deyse Cioccari, a política ainda é pensada como masculina, o que dificulta a imagem feminina no espaço político.
“Tanto a exclusão das mulheres da vida política quanto a inclusão estão historicamente associadas a suas diferenças em relação aos homens. Quando as mulheres conseguem entrar nesse espaço a identificação é sempre feita com família, filhos e marido. A mulher fora desse cenário não é bem-vinda, inclusive na política. É como se elas dissessem ‘nós podemos entrar nesse espaço de dominação com as mesmas armas que vocês: as ideias’. É uma tentativa fantástica de transpor barreiras masculinas no centro do poder”, coloca.
O Brasil é um dos piores países em representatividade feminina do mundo, aparecendo na 142° colocação do ranking de participação de mulheres na política nacional. É o que aponta o último estudo realizado em 2021 pela União Interparlamentar, organização internacional responsável pela análise dos parlamentos mundiais, que avaliou 192 países.
A cientista Deyse Cioccari reforça que esse resultado se deve a um histórico desigual estabelecido no país.
“Nossa história é desigual. O voto sempre foi ligado ao coronelismo e aos senhores da terra que ditavam as regras. A conquista do voto feminino já foi algo imposto no Brasil e a presença das mulheres nesse sistema continua sendo algo imposto. Falta aceitação nos espaços de poder”, avalia.