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    Fala de Lewandowski tratou da falta de integração policial, diz ministério

    Ministro declarou que “a polícia prende mal e o Judiciário é obrigado a soltar” e que “a polícia tem que prender melhor” em uma palestra na quarta-feira

    Alice Grothda CNN , Brasília

    O Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgou uma nota, nesta quinta-feira (20), para explicar a declaração feita pelo ministro Ricardo Lewandowski sobre prisões realizadas por polícias.

    Segundo o ministério, a manifestação ocorreu em um contexto da falta de integração das informações das polícias e as audiências de custódia.

    O chefe da pasta declarou, na quarta-feira (19), que a polícia executa prisões de forma equivocada e, por isso, o Judiciário é obrigado a soltar os presos.

    “Nesse cenário, ele falou que, hoje, há uma dificuldade de troca de informações entre as forças de segurança do país e o Poder Judiciário, o que se pretende solucionar a partir da PEC da Segurança Pública – cujo um dos objetivos é o de padronizar e uniformizar os dados produzidos pelas autoridades policiais em todo o Brasil, qualificando as ações de segurança pública”, diz a nota.

    De acordo com o comunicado, o ministro, em sua fala, citou que em muitos casos o detido é apresentado ao juiz na audiência de custódia, mas, por falta de padronização e de compartilhamento no registro de informações, o magistrado não tem acesso a dados importantes, como, por exemplo, os antecedentes do suspeito.

    “Vale destacar que o ministro iniciou sua manifestação sobre o assunto exaltando a necessidade de valorizar as polícias, inclusive com melhores salários, e de equipar melhor as forças policiais para, entre outros pontos, qualificar todo o processo probatório e robustecer os processos judiciais”, finalizou o Ministério da Justiça.

    Lewandowski rebateu críticas sobre o papel do Judiciário em uma palestra sobre o impacto da PEC da Segurança Pública nos setores de comércio e serviços.

    Na ocasião, o ministro afirmou: “É um jargão que foi adotado pela população, que a polícia prende e o Judiciário solta. Eu vou dizer o seguinte: a polícia prende mal e o Judiciário é obrigado a soltar”.

    O chefe da Justiça, que foi ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) entre 2006 e 2023, disse que a instituição policial, às vezes, prende sem provas e dados concretos.

    Segundo Lewandowski, se as prisões fossem de forma técnica, apresentando dados e indícios probatórios para o juiz, dificilmente os infratores seriam soltos.

    “É claro que nós temos que aperfeiçoar isso, nenhum juiz soltará um criminoso. Ele não está lá para soltar, ele está lá para fazer justiça. […] A polícia tem que prender melhor”, finalizou.

    Reação

    Em nota, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) repudiou a fala do ministro Lewandowski.

    “Só é possível falar em prisão ‘mal realizada’ quando se detecta alguma ilegalidade e certamente essa não é a realidade diuturna das audiências de custódia realizadas no Brasil”, afirmou a associação.

    A nota traz ainda que a qualidade da prova produzida pelas Polícias Judiciárias “não pode ser medida pelo número de liberdades provisórias concedidas em audiências de custódia”.

    A ADPF ainda cobra o Ministério da Justiça e afirma que a pasta deveria “estar atuando para valorização da polícia judiciária e dos Delegados de Polícia” e focar “no que realmente importa”.

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