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    ‘Estamos em uma guerra’, diz integrante da Lava Jato sobre movimentos da PGR

    Integrantes da força-tarefa afirmam que há motivação política da cúpula da Procuradoria-Geral da República na tentativa de acessar bancos de dados

    Renata Agostinida CNN

    “Estamos no meio de uma guerra”, resume um integrante da força-tarefa da Lava Jato. O clima, que já não era bom, pesou de vez dentro do Ministério Público após integrantes da Lava Jato no Paraná relatarem desconforto com a visita da subprocuradora-geral Lindora Araújo nesta semana. “Nunca vimos nada parecido acontecer”, diz um procurador sob reserva.

    Principal assessora do procurador-geral da República, Augusto Aras, ela é coordenadora do grupo dedicado aos casos da Lava Jato na PGR e solicitou acesso ao banco de dados de Curitiba. Houve reação dos integrantes da força-tarefa, que descreveram à corregedoria do Ministério Público uma tentativa indevida de cópia do material. 

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    Lindora nega irregularidade. O movimento em Curitiba e o relato dos procuradores lotados no Paraná, porém, contribuíram para o pedido de demissão coletiva dos três procuradores que restavam em seu grupo da Lava Jato na Procuradoria-geral da República. Avisaram que deixaram seus postos na sexta-feira (27), Hebert Reis Mesquita, Luana Vargas de Macedo e Victor Riccely. Horas depois, uma nota de apoio aos três foi divulgada com a assinatura conjunta dos membros das forças-tarefa da Lava Jato e da operação Greenfield.

    Além de coordenar o grupo de trabalho da Lava Jato na PGR, Lindora é responsável pelos casos do Ministério Público junto ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), incluindo investigações recentes de desvios cometidos pelos governadores do Rio, Wilson Witzel, e do Pará, Helder Barbalho.

    Integrantes da Lava Jato afirmam nos bastidores que há motivação política da cúpula da PGR na tentativa de acessar os bancos de dados. O grupo diz que estava há cerca de um mês em estado de alerta. Isso porque Aras havia indicado já em maio que buscaria informações reunidas pelas forças-tarefa do Paraná, do Rio de Janeiro e de São Paulo.

    A forma como Lindora abordou os procuradores em Curitiba aumentou o mal-estar na corporação. Segundo o relato de um dos presentes, além da ausência de justificativa formal para o acesso aos dados, a subprocuradora chegou a questionar Deltan Dallagnol sobre as chances de haver uma candidatura de Sergio Moro à presidência em 2022. Coordenador do grupo da Lava Lato em Curitiba, Dallagnol é próximo do ex-ministro da Justiça.

    Chamou atenção ainda de procuradores reclamações feitas por Lindora de uso de máscaras de proteção contra a Covid-19 por integrantes da força-tarefa e críticas por parte deles ter aderido ao trabalho remoto.

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