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    Entenda a proibição de desqualificar mulheres vítimas de crimes sexuais, como decidido pelo STF

    Decisão unânime proíbe que vítimas possam ser questionadas sobre sua vida sexual

    Maria Clara Matosda CNN , São Paulo

    Vítimas de violência sexual não podem mais ter seu estilo de vida ou suas vidas sexuais questionadas durante audiências judiciais e investigações do crime.

    É o que foi decidido na quinta-feira (23), por unanimidade, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte definiu que é inconstitucional perguntar sobre a vida sexual ou o modo de vida da vítima na apuração e no julgamento de crimes de violência contra mulheres.

    Como funciona na prática?

    Juízes também não podem considerar os mesmos aspectos na hora de aplicar a pena ao agressor.

    Caso considerem, ou não impeçam que as perguntas sobre o assunto sejam feitas durante as investigações, eles podem ser responsabilizados na esfera administrativa e penal.

    De onde surgiu a decisão?

    A decisão surgiu de uma ação da Procuradoria-Geral da República (PGR) em 2023, que, ao STF, questionava o dever do poder público de proteção da mulher “contra toda forma de violência, quando permite que mulheres vítimas de estupro sejam questionadas e tenham expostas sua vivência sexual pregressa no julgamento do crime”.

    Segundo a PGR, a menção à vida sexual ou modo de vida da vítima — em geral promovida pela defesa do acusado do crime – direciona o julgamento para que o acusado seja absolvido ou tenha sua pena beneficiada.

    O que violaria os princípios constitucionais da liberdade sexual, da dignidade humana, da igualdade de gênero e do devido processo legal. O órgão também cita que as práticas desrespeitam tratados e convenções internacionais de proteção e defesa dos direitos das mulheres.

    A vida sexual e os hábitos seriam “elementos alheios aos fatos de apuração” e não devem ser mencionados durante as audiências.

    Opinião dos ministros

    A decisão de tornar as condutas inconstitucionais foi unânime.

    Para a relatora do caso e ministra Cármen Lúcia, a legislação brasileira avançou em relação às mulheres, mas condutas como o questionamento perpetuam a discriminação e a violência de gênero.

    Já em seu voto, o ministro Alexandre de Moraes disse ser “lamentável” que “ainda tenhamos esse machismo estrutural, inclusive em audiência perante o Poder Judiciário” no século 21.

    “E não há possibilidade de tratar isso com meias medidas. É importante que o Supremo Tribunal Federal demonstre que não vai tolerar mais isso”, acrescentou o ministro.

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