Empresário Otavio Fakhoury admite que já financiou manifestações
Alvo de investigação no inquérito das fake news, Fakhoury falou à CNN com exclusividade
Em entrevista exclusiva à CNN gravada na quarta-feira (3), o empresário Otavio Oscar Fakhoury admitiu que já financiou manifestações a favor do governo de Jair Bolsonaro (sem partido). Fakhoury também explicou o motivo para o não comparecimento à Polícia Federal para prestar depoimento no inquérito das fake news.
“Eu fui colaborador de campanha, fiz doações legais e também pelo antigo partido do presidente, o PSL, todas de forma legal e registradas pelo Tribunal Superior Eleitoral. (…) Nunca trabalhei para o governo, nunca tive fonte ligada ao governo e nunca pedi nada e nunca vendi a minha opinião para ninguém”, explicou o empresário.
Assista e leia também:
Acesso a apuração sobre fake news não é ‘trégua’, mas dever do STF, diz advogado
Maia diz que CPMI das fake news precisa avançar: ‘Tem que ter um basta’
Fakhoury disse ainda que o fato de não ter tido acesso completo aos autos do processo o motivou a não comparecer à sede da Polícia Federal.
“No dia 27 do mês passado foi o dia da busca e apreensão. Às 17h do mesmo dia meu advogado já fez o pedido de acesso completo à investigação. Nós recebemos o telefonema marcando o depoimento para a data de hoje [quarta-feira], porém ainda sem acesso total à investigação.”
“No último sábado, o advogado entrou com um pedido de liminar solicitando anulação da decisão de busca e apreensão e restituição dos bens apreendidos. Também foi pedido para suspender o andamento da tramitação do inquérito, já que não tive acesso total aos autos do processo (…). Não me nego a prestar depoimento, mas gostaria que meu direito de ampla defesa seja resguardado para manter o devido processo legal”, explicou.
“As postagens que eu fiz estão públicas, inclusive tem algumas na decisão do ministro e que representam a minha opinião (…) O Brasil inteiro que usa o Twitter faz crítica, agora quem quiser [ver] a decisão do ministro Alexandre de Moraes tem lá as mensagens e cada um faz o seu julgamento.”
Questionado sobre se possui relação com os demais investigados na operação, o empresário ponderou.
“Eu já falei e vou repetir: eu sou favorável ao funcionamento correto de todas as instituições brasileiras, então eu nunca critico uma instituição. Todas as críticas que eu costumo fazer é em relação às pessoas, as instituições têm que continuar funcionando pois faz parte da democracia. Esse grupo [‘ Marketing Bolsonaro’] eu conheço e o ‘Insitituto Brasil 200’ eu não conheço. Os outros empresários que foram citados comigo, não conheço nenhum deles pessoalmente.”, disse.
Fakhoury afirmou que nunca impulsionou mensagens que atacam o Supremo Tribunal Federal e que não tem conhecimento das técnicas necessárias para realizar tais ações. Ele diz ainda que que está sendo ameaçado após divulgação dos dados pessoais na internet e que medidas estão sendo tomadas.
“Na verdade, todo mundo estava querendo ajudar a eleição, exatamente como todo o Brasil fez. Tudo isso fizemos de forma orgânica e sem participação financeira neste aspecto. (…) Há muito debate do que é fake news nestes grupos”, concluiu.
(Edição: Marina Motomura)
