Em crise e sem Regina Duarte, Cinemateca recebe visita de Mário Frias e ministro
Marcelo Álvaro Antônio e novo secretário da Cultura visitaram instituição, que é o maior acervo audiovisual da América Latina e sofre com falta de recursos
Faz mais de um mês que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou que a atriz Regina Duarte deixaria a Secretaria da Cultura para assumir o comando da Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Regina foi exonerada do governo, mas ainda não assumiu qualquer função na instituição.
O imbróglio, no entanto, evidenciou a crise financeira e administrativa vivida pela Cinemateca, maior acervo audiovisual da América Latina, que está com contas e salários de funcionários atrasados. Nesta terça-feira (23), a instituição recebeu a visita do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL), e do sucessor de Regina Duarte, o também ator Mário Frias.
Segundo nota do Ministério do Turismo, Marcelo Álvaro se comprometeu em “resolver o impasse” sobre a gestão do órgão. “Vir pra cá demonstra a nossa intenção de reestabelecer a Cinemateca e dar vida nova à instituição. Podem ter certeza que, junto com o novo secretário de Cultura, estamos fazendo de tudo para resgatar e resolver o impasse dessa instituição que é tão importante para o Brasil e para o mundo”.
A nota não faz qualquer menção a Regina Duarte. Apesar de ser propriedade federal, a gestão da Cinemateca é feita por uma organização social, a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp). Acontece que a Acerp está sem contrato vigente com o governo desde o ano passado, o que a impede de receber as verbas para a manutenção do espaço.
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O ministro e o secretário especial da Cultura, Mário Frias, se reuniram com integrantes da associação. No comunicado enviado pelo ministério, Frias apenas diz buscar uma solução legal para a crise. “Minha preocupação é manter a cinemateca. Queremos a solução, tudo dentro da legalidade”.
Entre as possibilidades, está a reincorporação da Cinemateca à União, restituindo a gestão direta. Segundo o analista da CNN Iuri Pitta, outra hipótese foi a apresentada pelo prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB). Em conversa por telefone com o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, Covas afirmou que a cidade pode assumir a gestão do espaço.