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    Comandante da PM-DF tentou prejudicar investigações sobre os atos de 8 de janeiro, diz PGR

    Denúncia diz que coronel Klépter Rosa “retardou” envio de informações ao STF com objetivo de atrasar apurações

    Lucas MendesElijonas MaiaThais Arbexda CNN

    A Procuradoria-Geral da República (PGR) disse que o comandante-geral da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), Klépter Rosa, “retardou” o envio de informações ao Supremo Tribunal Federal (STF) com “claro objetivo de prejudicar e retardar as investigações” sobre os atos de 8 de janeiro.

    A informação está na denúncia apresentada pelo órgão ao Supremo contra a cúpula da PM, por suposta omissão nos atos de 8 de janeiro, que levaram à invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília.

    “KLÉPTER, na condição de Comandante-geral da PMDF, retardou o fornecimento, nestes autos, de documentos requisitados pelo Supremo Tribunal Federal, com o claro objetivo de prejudicar e retardar as investigações”, diz trecho da denúncia, assinada pelo subprocurador-geral da República, Carlos Frederico Santos.

    Klépter Rosa foi preso na manhã desta sexta-feira (18), em operação que investiga os atos de 8 de janeiro. O governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), disse nesta sexta-feira (18) que vai escolher um novo comandante para a corporação e que se reunirá ainda hoje como o secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, para tratar o assunto.

    O ex-comandante da PMDF coronel Fábio Augusto Vieira também está entre os presos. Outros coronéis são alvos da PF nesta sexta. Os agentes cumprem sete mandados de prisão e sete de busca e apreensão em regiões do DF.

    A operação foi autorizada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, e realizada pela PF e PGR.

    Klépter Rosa assumiu o comando da PM ainda em janeiro, nomeado pelo então interventor federal na Segurança Pública do DF, Ricardo Cappelli.

    Na época dos atos de 8 de janeiro, ele era Subcomandante-geral da PM.

    Além de Klépter Rosa e Fábio Augusto Vieira, também foram denunciados:

    • coronel Jorge Eduardo Naime;
    • coronel Paulo José Ferreira de Souza Bezerra;
    • coronel Marcelo Casimiro Vasconcelos Rodrigues;
    • major Flávio Silvestre de Alencar;
    • tenente Rafael Pereira Martins

    Os militares foram acusados de: omissão, combinado com os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, com emprego de substância inflamável contra o patrimônio da União e com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado.

    Em nota, a PM-DF disse que a operação da Polícia Federal é acompanhada pela Corregedoria da Corporação. “Quaisquer demandas acerca dos acontecimentos devem ser encaminhadas àquele órgão”.

    Em nota, o Governo do Distrito Federal disse que recebe com “acato e respeito” a decisão de Moraes sobre a operação e aguarda o “desfecho” do inquérito.

    “Como ocorreu desde o primeiro momento, o GDF participa com informações e diligências para que o processo em curso ocorra da forma mais justa e célere possível. O trabalho da Secretaria de Segurança Pública do DF se mantém com o mesmo empenho para que a população não seja prejudicada”.

    Em entrevista a jornalistas na manhã desta sexta-feira (18), o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), disse que a decisão de Moraes o pegou de “surpresa” porque “já estamos há quase oito meses do acontecido no oito de janeiro”.

    Ibaneis também disse que Klépter vinha prestando um “belíssimo serviço à Polícia Militar do Federal.”

    CNN tenta localizar a defesa de Paulo José, Marcelo Casimiro e Flávio Silvestre. Preso, o atual comandante da PMDF, Klepter Rosa, ainda não possui advogado de defesa.

    O advogado do ex-comandante da PMDF, Fábio Augusto Vieira, se pronunciou em nota manifestando “absoluta preocupação quanto à incorreção conceitual e a aplicação metodológica equivocada da teoria da omissão imprópria, bem como pelo manejo destoante das cautelares penais, apartado da racionalidade judicial e da construção interpretativa historicamente adotada pelo Supremo Tribunal Federal”.

    A defesa ainda afirmou que “anseia a análise criteriosa da prisão pelo Supremo Tribunal Federal, por sua composição colegiada, reforçando a crença de que haverá observância ao desenvolvimento dogmático já estruturado e a aplicação da interpretação judicial
    amparada por critérios racionais”.

    Já o advogado de Jorge Eduardo Naime afirmou que ainda não teve acesso ao processo “mas recebe com estranheza”. “O Naime é inocente e vamos comprovar isso”, concluiu.

    VÍDEO: PGR: Comandante da PMDF preso tentou prejudicar investigações do 8/1

    “Nós temos que entender os caminhos da investigação, está tudo em apuração e houve ontem a representação do Ministério Público no sentido da prisão deles todos, e gente fica muito triste com o que vem acontecendo”, declarou.

    “Mas, infelizmente, nós temos que dar uma resposta também ao que aconteceu no oito de janeiro, e se essa é a resposta que o ministro Alexandre de Moraes entende que necessário para o momento, a gente tem que compreender a decisão judicial e vamos acatá-la, vamos agora escolher um novo comandante pra Polícia Militar do Distrito Federal. Eu devo ter uma reunião ainda hoje com o meu secretário de segurança que vai me trazer o nome pra essa função”.

    Ibaneis também ressaltou que Klépter não foi indicado pelo governo do DF, mas sim pelo então interventor Cappelli.

    “Mas [Klépter] gozava da nossa confiança e a gente espera que as coisas se esclareçam, eles tenham direito a ampla defesa ou contraditória e a gente aguarda que isso tudo ocorra dentro do custo do processo pra que eles possam comprovar se for o caso a sua inocência e que possam voltar as suas atividades profissionais”, disse o governador.

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