Bolsonaro posta vídeo com imagem simbólica de jipe militar em frente ao STF
Desfile de veículos militares provocou reação entre parlamentares; votação da PEC do voto impresso está prevista para acontecer também nesta terça-feira (10)
Do alto da rampa do Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ministro da Defesa, general Braga Netto, assistiram a pouco mais de dez minutos do desfile militar que passou pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília, na manhã desta terça-feira (10).
Um trecho do vídeo do comboio militar, no entanto, chama a atenção pelo simbolismo diante do contexto atual. Na imagem, postada no Facebook de Bolsonaro, é possível ver o comboio militar passando diante do Supremo Tribunal Federal (STF) entre o presidente e Braga Netto, que observam a cena, ao lado de outras autoridades, na rampa do Planalto.
Dezenas de veículos militares passaram pelo local, incluindo tanques, blindados, caminhões e jipes. O objetivo do desfile, segundo a Marinha, é convidar o presidente para participar de treinamento das três Forças, evento que acontece desde 1988 na cidade de Formosa, em Goiás, mas esta é a primeira vez que o desfile acontece na região central de Brasília.
A exibição militar acontece no mesmo dia em que o plenário da Câmara dos Deputados votará a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso e em meio à escaladas de ataques de Bolsonaro contra o STF e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em nota, a Marinha do Brasil confirmou a realização da Operação Formosa 2021 e afirmou que 14 viaturas ficarão em exposição durante essa terça, em frente ao prédio da Marinha na Esplanada dos Ministérios.
O evento, ainda de acordo com a Marinha, foi planejado antes da agenda para a votação da PEC do voto impresso no plenário da Câmara dos Deputados, “não possuindo relação com a mesma, ou qualquer outro ato em curso nos Poderes da República”.
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As Forças Armadas promovem desfile de tanques e blindados na Esplanada dos Ministérios, nesta terça-feira (10), com destino ao Palácio do Planalto, em Brasília (DF), para encontro com o presidente Bolsonaro • Antonio Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo
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Tanque das Forças Armadas passa em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, nesta terça-feira (10) • Matheus W Alves/Futura Press/Estadão Conteúdo
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Tanque das Forças Armadas passa em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, nesta terça-feira (10) • Antonio Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo
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Blindado das Forças Armadas passa em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, nesta terça-feira (10) • Antonio Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo
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Tanque das Forças Armadas durante desfile de blindados na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, nesta terça-feira (10) • Antonio Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo
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O Presidente da República, Jair Bolsonaro, recebe,nesta terça-feira (10), o convite das Forças Armadas para acompanhar o treinamento militar Operação Formosa. • Antonio Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo
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O Presidente da República, Jair Bolsonaro, recebe,nesta terça-feira (10), o convite das Forças Armadas para acompanhar o treinamento militar Operação Formosa. • Antonio Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo
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Movimentação na frente do Palácio do Planalto devido a desfile de tanques e blindados nesta terça-feira (10) • Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo
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Militar no desfile de tanques e blindados na Esplanada dos Ministérios • Myke Sena/picture alliance via Getty Images
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Comboio com veículos blindados e armamentos passa pela Esplanada dos Ministérios • Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Comboio com veículos blindados e armamentos passa pela Esplanada dos Ministérios • Marcelo Camargo/Agência Brasil
Nesta manhã, o ministro do STF, Dias Toffoli, negou o pedido de suspensão do desfile militar e remeteu a análise ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que segundo ele, é o responsável por analisar temas relacionados às Forças Armadas.
A PEC do voto impresso já foi negada na Comissão Especial da Câmara dos Deputados na última sexta-feira (6), por 23 votos a 11.
A Comissão Especial tem caráter consultivo – e não terminativo, e, por isso, o tema foi levado ao plenário por Lira, que classificou o ato como “trágica coincidência”. Parlamentares de diversos partidos, no entanto, classificaram a exibição como uma tentativa de intimidação.