Bolsonaro inelegível: próximos passos e recurso
Defesa do ex-presidente pode acionar TSE e STF para tentar reverter o caso, mas efeitos da condenação seguem valendo
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Vista da sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, onde ocorre o julgamento sobre inelegibilidade de Jair Bolsonaro (PL) • Adriano Machado/Reuters (11.dez.2022)
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Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julga ação contra ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) • Alejandro Zambrana/Secom/TSE
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Alexandre de Moraes, ministro do TSE, abre sessão da Corte que retoma julgamento de Bolsonaro • Reprodução TV Justiça
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Ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) André Ramos Tavares vota em julgamento sobre inelegibilidade de Bolsonaro • Reprodução
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Ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Floriano de Azevedo Marques vota em julgamento sobre inelegibilidade de Bolsonaro • Alejandro Zambrana/Secom/TSE
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Ministra Cármen Lúcia na sessão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que julga ação sobre inelegibilidade de Bolsonaro • Alejandro Zambrana/Secom/TSE
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Ministro do TSE Raul Araújo justifica voto em julgamento sobre inelegibilidade de Bolsonaro • Alejandro Zambrana/Secom/TSE
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Ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Benedito Gonçalves durante julgamento sobre inelegibilidade de Bolsonaro • Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE
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Ministro Nunes Marques também faz parte da turma do Tribunal Superior Eleitoral que julga inelegibilidade de Jair Bolsonaro • FlickR STF
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O ex-presidente Jair Bolsonaro desembarca no aeroporto Santos Dumont e fala sobre o julgamento no TSE que pode torná-lo inelegível • Tânia Rêgo/Agência Brasil
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenou nesta sexta-feira (30) o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e decretou sua inelegibilidade pelos próximos oito anos. O placar ficou 5 a 2.
A maioria dos ministros entendeu que Bolsonaro cometeu abuso de poder político e usou indevidamente os meios de comunicação ao fazer uma reunião em embaixadores no Palácio da Alvorada, em julho de 2022, e atacar sem provas o sistema eleitoral. O encontro foi transmitido pela TV Brasil e por perfis nas redes sociais do então presidente.
A inelegibilidade tem efeito imediato, valendo desde o encerramento do julgamento. A defesa de Bolsonaro ainda pode recorrer, ao próprio TSE e também ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O recurso ao TSE, no entanto, não tem potencial de afastar os efeitos da condenação e só deve ser apresentado em agosto.
Após o julgamento, o TSE deverá publicar o acórdão, como é chamada a decisão colegiada dos tribunais. Leva alguns dias para essa publicação.
Depois da publicação, a defesa de Bolsonaro tem três dias para entrar com recurso. O prazo, no entanto, não corre durante o mês de julho, período do recesso do Judiciário.
Ao final do julgamento nesta sexta-feira (30), o advogado de Bolsonaro, Tarcísio Vieira de Carvalho, disse que vai aguardar o acórdão para “verificar as melhores estratégias, inclusive ir ou não ao Supremo”.
A defesa do ex-presidente deve apresentar primeiro o recurso ao TSE, chamado de “embargos de declaração”.
O instrumento não tem o potencial de alterar a decisão e permite esclarecer eventuais contradições e obscuridades no acórdão. Também não serve para suspender o efeito de eventual decretação de inelegibilidade. Assim que apresentar os embargos, o prazo para acionar o STF, que também seria de três dias, deixa de correr.
A defesa de Bolsonaro poderá levar a discussão também ao Supremo por meio do chamado recurso extraordinário. Antes, o próprio TSE precisa admitir esse recurso, verificando se há requisitos para sua tramitação.
Assim que o recurso extraordinário chegar ao STF, os três integrantes da Corte que participam do TSE (Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Nunes Marques), ficam excluídos da distribuição do recurso.
O recurso só pode ser levado ao Supremo para questionar eventuais ofensas à Constituição no julgamento. A defesa de Bolsonaro já indicou que pode argumentar por um cerceamento de defesa durante o processo no TSE.
Um recurso que chegue ao STF pode ser objeto de uma decisão individual do ministro que for sorteado para ser o relator do caso, suspendendo a decisão da Corte eleitoral.
Ao fim, a tentativa de se tornar elegível de novo no Supremo tende a não prosperar, pois qualquer decisão individual precisaria ser levada a plenário para ser confirmada ou não por todos os integrantes da Corte.
Em 2022, ocorreu algo semelhante. O ministro Nunes Marques derrubou individualmente uma decisão colegiada do TSE do ano anterior que cassou o deputado estadual bolsonarista Fernando Francischini (União-PR), restabelecendo seu mandato. A decisão de Nunes foi depois invalidada pelo STF.