Dólar fecha semana em alta de 0,8% com tarifas dos EUA; bolsa cai 0,3%
Investidores analisavam dados de emprego no Brasil e de inflação nos EUA, enquanto navegam pela incerteza em relação às tarifas de Donald Trump


O dólar à vista fechou as negociações desta sexta-feira (28) próximo da estabilidade, mas com alta semanal, à medida que os investidores analisavam dados de emprego no Brasil e de inflação nos Estados Unidos, enquanto navegam pela incerteza em relação às tarifas pelo presidente Donald Trump.
A queda do Ibovespa foi endossada pela fraqueza de commodities no exterior e declínio nos pregões em Nova York, terminando a semana quase no zero a zero após encostar nos 134 mil pontos.
A divisa norte-americana encerrou com alta de 0,08%, cotado a R$ 5,7627 na venda, acumulando ganhos semanais de 0,82%.
Já a bolsa brasileira fechou em queda de 0,94%, a 131.902,18 pontos. No acumulado da semana, o índice registrou perdas de 0,33%.
Na véspera, o Ibovespa fechou em uma máxima em cerca de seis meses, acima dos 133 mil pontos.
A taxa de desocupação no Brasil atingiu 6,8% no trimestre encerrado em fevereiro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É uma alta 0,7 ponto percentual em comparação ao trimestre anterior (6,1%).
Dados e tarifas dos EUA
Os planos tarifários de Trump têm sido o principal assunto da semana, uma vez que ele forneceu novos detalhes sobre sua promessa de anunciar tarifas recíprocas — taxas para responder barreiras impostas sobre produtos norte-americanos — em 2 de abril.
Trump havia dito na segunda-feira (24) que poderia conceder descontos a alguns países quando apresentar as novas taxas na próxima quarta-feira, o que chegou a impulsionar o apetite pelo risco nos mercados de câmbio no início da semana.
No entanto, um novo anúncio na quarta, quando o presidente dos EUA apresentou seu plano de implementar tarifas de 25% sobre importações de automóveis, provocou mais temores de uma guerra comercial global, com ativos de países emergentes, como o Brasil, sofrendo os maiores reveses.
“Caso as medidas (em 2 de abril) sejam direcionadas apenas aos países com os quais os EUA têm grandes déficits comerciais ou que tem participação relevante no comércio norte-americano, o Brasil provavelmente não será impactado inicialmente”, disseram analistas do BTG Pactual em relatório.
“Contudo, se forem aplicadas tarifas generalizadas a setores específicos, como ocorreu recentemente com o aço, ou se os critérios incluírem países com barreiras comerciais superiores às norte-americanas, o Brasil poderá ser diretamente afetado”, acrescentaram.
Para além das tensões comerciais, os investidores ainda temem que a política comercial de Trump possa reacender a inflação nos EUA, assim como provocar uma recessão, à medida que a maior economia do mundo já vem apresentando indícios de desaceleração.
Até o momento, após uma série de ameaças e recuos, Trump já implementou uma tarifa de 20% sobre produtos chineses, taxas de 25% sobre importações de aço e alumínio e tarifas de 25% sobre mercadorias de México e Canadá que violem as regras de um acordo comercial da América do Norte.
A sessão desta sexta ainda era marcada pela divulgação de dados nos EUA e no Brasil.
O governo norte-americano informou mais cedo que o índice PCE — a medida de inflação preferida do Federal Reserve — repetiu em fevereiro a alta mensal registrada em janeiro, a 0,3%, com a taxa anual atingindo ganho de 2,5%, também igualando o número anterior.
Os resultados vieram em linha com as projeções de analistas em pesquisa da Reuters.
O banco central dos EUA acompanha as medidas do PCE para sua meta de inflação de 2%. Na semana passada, o Fed deixou sua taxa de juros inalterada na faixa de 4,25% a 4,50%.
Desemprego no Brasil
Já na cena doméstica, o IBGE relatou que a taxa de desemprego no Brasil ficou em 6,8% nos três meses até fevereiro, acima dos 6,5% registrados em janeiro e em linha com previsões em pesquisa da Reuters.
Ainda entre os dados, o Brasil abriu 431,9 mil vagas formais de trabalho em fevereiro, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta sexta-feira (28) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Esse é o melhor resultado para o mês desde o início da série histórica, em 2002.
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*Com informações da Reuters