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    Defesa Civil: Ocupação desordenada do solo potencializou risco de deslizamentos em Petrópolis

    Alerta do plano de contingência foi publicado em dezembro de 2021; em 24 horas, choveu mais de 10% do volume previsto para o ano na cidade

    Isabelle Resendeda CNN , Rio de Janeiro

    Dos 96 setores de risco mapeados no plano de contingência da Defesa Civil de Petrópolis para chuvas intensas, pelo menos 30 foram afetados fortemente por inundações e deslizamentos de terra. Entre as áreas mais afetadas estão: o Alto da Serra, onde parte do Morro da Oficina desabou arrastando inúmeras casas, e o Centro, onde estão localizados os prédios históricos e principais pontos turísticos, além de centros comerciais.

    De acordo com o plano de contingência, o volume de chuva estimado para o ano é de 2000 milímetros. Em 24 horas, choveu mais de 10% do esperado para todo o período.

    O documento, publicado em dezembro de 2021, chama atenção para as características geológicas, o processo de urbanização e a ocupação do solo, que reforçam a condição suscetível aos deslizamentos, principalmente no caso de chuvas fortes.

    Em um trecho do plano, os técnicos da Secretaria de Defesa Civil e Ações Voluntárias destacam que a expansão da ocupação desordenada do solo, nas últimas décadas e a falta de um planejamento adequado do uso solo oferecem risco iminente à população.

    “O município de Petrópolis, nas últimas décadas, vem sofrendo uma intensa expansão urbana, sem um planejamento adequado do uso do solo. A ocupação desordenada nas áreas de encosta da cidade, com construções de edificações sem acompanhamento técnico especializado, associada à falta de percepção de risco da população e à condição social existente, é uma realidade que potencializa o grau de risco em relação aos eventos de movimentos gravitacionais de massa, enchentes e inundações”.

    Para o professor de Engenharia Geotécnica do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), Maurício Ehrlich, a falta de uma política pública que oriente o crescimento ordenado das cidades é o principal fator de risco.

    “O que a gente precisa, e infelizmente isso não é uma tradição brasileira, é planejar o crescimento urbano das nossas cidades, evitando (a ocupação) ou intervindo nas áreas potencialmente problemáticas, como área de encostas, por exemplo. O ideal é que o poder público primeiro fizesse intervenções nas áreas mais suscetíveis e depois ocupasse. Sem planejamento urbano, o mapeamento de áreas de risco perde o valor” sentencia o especialista.

    Desde 2013, o estado do Rio de Janeiro não tem um mapeamento atualizado das áreas de risco de deslizamentos e desabamentos. No último levantamento feito pelo Serviço Geológico do Estado (DRM-RJ), mais de 38 mil (38.331) pessoas encontravam-se expostas a esses riscos, em 85 dos 92 municípios fluminenses. Os dados não incluem informações de sete outros municípios: Rio de Janeiro, Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo, Angra dos Reis, Niterói e Belford Roxo, que à época já dispunham de projetos próprios de mapeamento.

    A professora de engenheira ambiental da Universidade Veiga de Almeida (UVA), Viviane Japiassú, ressalta que para além do mapeamento de áreas consideradas problemáticas também é preciso investir em planejamento urbano, como ações estruturais de contenção de encostas, drenagem da rede pluvial, desassoreamento de rios e alternativas ambientais.

    Fotos – Impactos das chuvas em Petrópolis

     

    “Precisamos repensar o modelo de cidade evitando, por exemplo, a retificação de rios, ou seja, alteração artificial do fluxo da água. E além disso, é necessário criar espaços onde o solo possa absorver a água da chuva, especialmente em áreas onde há adensamento populacional. O ideal é que as cidades definissem, por exemplo, áreas onde não poderia avançar na ocupação” – explica Japiassú.

    De acordo com dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CRPM), o país tem mais de 12 mil (12.703) áreas de risco, sendo 3.732 consideradas de risco muito alto. No total, mais de 3,8 milhões (3.887.317) pessoas vivem nestas áreas. Mais da metade desses terrenos (51,36%) estão suscetíveis a deslizamentos de terra. As cidades de Ouro Preto, em Minas Gerais, e Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, ocupam respectivamente a primeira e a segunda posição no top 20 das cidades onde há maior probabilidade de desastres geológicos listadas pelo SGB.

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