Seca pode impactar 60% do que é transportado no Rio Amazonas
Governo federal vai liberar R$ 141 milhões para obras de manutenção da segurança no tráfego das embarcações
Com os rios com níveis abaixo do regular, o escoamento da produção e abastecimento da população com insumos básicos são impactados.
Em entrevista à CNN, Luís Fernando Resano, diretor-executivo da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), afirmou que os novos dados de medição dos níveis das hidrovias indicam que a projeção inicial de perda de impacto na navegação se intensificou: mais de 60% do que deveria ser transportado pode deixar de ser durante este período.
A nova projeção representa um acréscimo de 10% de impacto na navegação em comparação com a última estimativa e um crescimento de 20%, comparado ao período de seca do ano anterior.
Resano explica que o maior impacto se deve pela maior duração da estiagem, que normalmente ocorre do mês de outubro ao começo de dezembro: “Este ano, a expectativa é que a seca dure até março”, afirma.
Os produtores têm mais dificuldade de transportar os produtos mais pesados, como arroz, congelados, resfriados, cimento, metais, cerâmica, porcelanato e fertilizantes, que devem ficar mais caros na região por causa do desabastecimento.
“As leituras das réguas dos rios, nesta quarta-feira (27), já indicam níveis ainda menores do que ano passado, e muito próximas aos níveis da pior seca que enfrentamos recentemente, em 2010”, diz Resano. “A situação será bastante crítica se não tiver chuva”.
De acordo com o diretor, a questão da seca no Amazonas pode ser vista:
- do ponto de vista econômico pela dificuldade estrutural da região de recebimento deem receber insumos básicos,
- e pela perspectiva social, na qual os impactos são vistos como na cidade de Tabatinga, onde faltam alimentos como arroz e feijão e água potável.
“Falta água porque as embarcações não chegam e porque os poços secaram”, explica Resano.
Tabatinga é um dos 16 municípios em situação de emergência, segundo o último informativo da Defesa Civil do Amazonas, nesta quarta-feira (17). Outros 39 estão em alerta, cinco em atenção e apenas dois em normalidade.
Plano de ação do governo federal
“Como na pandemia, nós vamos esperar faltar oxigênio em Manaus para descobrir uma crise de oxigênio em Manaus?”, questiona o diretor da ABAC.
Segundo o especialista, diferente da pandemia, a situação atual é ainda mais previsível e, por isso, os esforços da associação e do governo federal e estadual são necessários para conter a situação.
Em reunião em Brasília na terça-feira (26), foi decidido que o governo federal deve liberar R$ 141 milhões para obras de manutenção da segurança no tráfego das embarcações na região norte do país.
*Sob supervisão de Márcia Barros