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    Prefeitura de SP investiga GCM que pôs joelho no pescoço de homem negro

    Abordagem aconteceu nesta terça-feira (31), no bairro da Santa Cecília, na capital paulista, e truculência da ação foi denunciada por movimentos sociais nas redes

    Pedro OsorioLéo Lopesda CNN , em São Paulo

    A Prefeitura de São Paulo decidiu instaurar uma sindicância para investigar uma abordagem da Guarda Civil Metropolitana (GCM), na qual um agente pôs o joelho no pescoço de um homem negro imobilizado no chão.

    A abordagem aconteceu, nesta terça-feira (31), no bairro da Santa Cecília, na capital paulista. Imagens em vídeo da ação viralizaram nas redes sociais através de movimentos sociais, que denunciaram a truculência da ação.

    No vídeo, é possível ver um dos agentes da GCM colocando o joelho no pescoço de um homem negro, identificado como César Victor Batista, que já estava deitado no chão e imobilizado. Outro agente também é visto colocando o peso do corpo sobre uma das pernas do rapaz.

    Além disso, um terceiro agente pode ser visto chegando em viatura no local, e segurando um saco plástico branco na mão.

    No registro da ocorrência, os policiais acusaram César de estar portando porções de crack e uma balança de precisão, que teriam sido dispensados em uma tentativa de fuga.

    Eles também afirmaram que foi necessário o uso de algemas e “uso moderado da força, pois César estava bastante agitado e poderia fugir ou agredir a equipe”.

    César chegou a ter decretada prisão em flagrante pelo delegado Felipe Barretto de Oliveira.

    A Defensoria Pública de São Paulo pediu relaxamento da prisão “em virtude da violência, ausência de fundada suspeita para abordagem e incompetência da Guarda Civil para realizar o procedimento”.

    Além disso, a Defensoria argumentou que o indiciado negou que estivesse com drogas, e que o Guarda Civil já teria saído do veículo com o pacote. “Ou seja, existem fortes indícios de que a droga não estava com o paciente e não foi descoberta em busca pessoal, diverso do alegado pelos Guardas”, afirmou a Defensoria.

    A juíza Gabriela Marques da Silva Bertoli acatou o pedido da Defensoria Pública e determinou a liberdade provisória imediata.

    “As imagens corroboram a alegação do custodiado de que teria sofrido abuso por parte dos guardas, uma vez que é possível ver nitidamente um deles apoiando toda a força do corpo sobre a perna dobrada do autuado, ao que consta, sem necessidade, pois já estava contido e imobilizado”, argumentou a juíza na sentença.

    Investigação da Prefeitura

    Após a repercussão da ação, a Prefeitura de São Paulo divulgou nota, através da Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU), informando que a “Corregedoria Geral da Guarda Civil Metropolitana vai instaurar uma sindicância para apurar os fatos e todas as circunstâncias relativas à ocorrência”.

    “A SMSU não compactua com desvios de conduta e todos os casos são rigorosamente apurados e, comprovadas irregularidades, os autores são punidos conforme a legislação vigente”, acrescenta a nota.

    “Todos os relatos serão apurados tanto na investigação da polícia quanto na sindicância da Corregedoria da GCM”, também afirma a nota. Veja a íntegra da nota da Prefeitura abaixo.

    “A Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU) informa que a Corregedoria Geral da Guarda Civil Metropolitana vai instaurar uma sindicância para apurar os fatos e todas as circunstâncias relativas à ocorrência citada pela reportagem. A SMSU não compactua com desvios de conduta e todos os casos são rigorosamente apurados e, comprovadas irregularidades, os autores são punidos conforme a legislação vigente.

    Os agentes envolvidos na ocorrência relataram que, durante patrulhamento, identificaram um indivíduo que, ao avistar os guardas, teria dispensado um pacote e fugido. Os guardas informaram que conseguiram aborda-lo e encontraram uma sacola arremessada pelo homem, que teria substâncias análogas a entorpecentes. Eles também apresentaram uma balança de precisão na ocorrência registrada no 77º DP (Santa Cecília), que investiga o caso. Todos os relatos serão apurados tanto na investigação da polícia quanto na sindicância da Corregedoria da GCM.”

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