Médicos assassinados: polícia do RJ terá integração com PF e SP para “solução rápida do caso”
Polícia não esclareceu se há uma linha de investigação; um dos médicos mortos a tiros era o irmão da deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP)
A Polícia Civil do Rio de Janeiro trabalhará de forma integrada com a Polícia Federal (PF) e a Polícia Civil de São Paulo na investigação do assassinato de três médicos a tiros em quiosque na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, na madrugada desta quinta-feira (5).
Um dos médicos mortos a tiros era o irmão da deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e cunhado do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), Diego Ralf de Souza Bomfim.
A polícia convocou uma coletiva de imprensa para a tarde desta quinta, no entanto, as autoridades fizeram apenas um pronunciamento e não responderam às perguntas dos repórteres. Não foi esclarecida se há uma linha de investigação.
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O secretário de Estado de Polícia Civil, delegado José Renato Torres, disse que estava no interior do estado com o governador Cláudio Castro (PL), quando tomaram conhecimento do ocorrido ainda na madrugada.
Segundo o secretário, Castro conversou preliminarmente com o ministro da Justiça, Flávio Dino. Mais cedo, Castro declarou que também conversou com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e que a Polícia Civil paulista auxiliará na investigação, porque as vítimas eram de São Paulo.
“Entendemos que teríamos que ter uma cooperação, integração, para dar uma solução mais rápida a esse bárbaro crime”, disse o delegado Torres.
“Acredito que vamos dar uma resposta em um espaço de tempo que o homicídio precisa amadurar. A gente tem menos de 12 horas [desde o crime]”, completou.
O delegado João Paulo Garrido, da Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, reafirmou que a PF está atuando em cooperação com a Polícia Civil por determinação de Dino e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
“Todos os recursos materiais que forem julgados necessários, a Polícia Federal está à disposição para colaborar nesse caso”, afirmou Garrido.
A investigação do caso será coordenada pelo diretor do Departamento-Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa (DGHPP), delegado Henrique Damasceno, que também liderou o caso Henry Borel.
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Ele afirmou que “todos os protocolos de homicídio estão sendo adotados”. “A polícia está utilizando todas as ferramentas possíveis para conseguir o máximo de provas o quanto antes para dar a efetiva resposta a esse caso”, disse o delegado.
“É uma investigação de um crime grave. Porém, asseguro que todo o DGHPP e outras unidades da Polícia Civil estão empenhadas em resolver essa questão o quanto antes”, completou.
Uma representante do Ministério Público informou à imprensa que o caso já foi distribuído a um promotor, que “vai se inteirar sobre o assunto e promover todas as medidas necessárias”.
O crime
Três médicos ortopedistas morreram — e um ficou ferido — após serem baleados na avenida da praia da Barra da Tijuca, na zona Oeste do Rio de Janeiro, na madrugada desta quinta-feira (5).
Os quatro foram socorridos por bombeiros. Marcos de Andrade Corsato, Perseu Ribeiro Almeida e Diego Ralf de Souza Bomfim — que era irmão da deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) — morreram no local. Um outro médico está internado.
O grupo estava no Rio de Janeiro para participar do 6º Congresso Internacional de Cirurgia Minimamente Invasiva do Pé e Tornozelo, evento internacional com apoio da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé, entidade que os médicos faziam parte.
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A informação foi confirmada à CNN pela própria associação.
Foram disparados pelo menos 20 tiros em 20 segundos, conforme apurou o analista da CNN Leandro Resende. A PCRJ investiga o caminho percorrido pelo carro dos criminosos e avalia se aconteceu alguma coisa no deslocamento do grupo de São Paulo para o Rio. A princípio, os primeiros indícios apontam para uma execução.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, pediu que a Polícia Federal acompanhe a investigação. Em publicação feita no X, anteriormente conhecido como Twitter, ele atribuiu a entrada da PF no caso à “hipótese de relação com a atuação de dois parlamentares federais”.
Sâmia Bomfim, irmã de uma das vítimas, é casada com o também deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ).