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    Jovem eletrocutado em festival trocou mensagens com a família antes de morrer

    Mãe da vítima afirma que houve negligência da organização do evento; investigação está em andamento

    Isabelle Salemeda CNN

    A última notícia que Roberta Ferreira recebeu do filho foi por volta de 21 horas de sábado (9). A mãe pergunta se o evento estava acabando e João Vinícius diz que não. Depois, ela faz contato e o rapaz não responde mais. Roberta tinha combinado de ir buscar o filho em Niterói e levá-lo para casa, em Maricá, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

    Somente horas mais tarde da última mensagem, uma pessoa atende o celular do estudante de Educação Física e diz que ele sofreu um acidente. A família vai para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, mas é tarde, o estudante morreu após ter dado entrada na unidade em parada cardiorrespiratória.

    Última troca de mensagens entre João Vinícius e a mãe; jovem foi eletrocutado durante evento no Rio de Janeiro / Reprodução

    O acidente

    Um rapaz tranquilo e muito reservado: é assim que Roberta descreve João Vinícius Ferreira Simões. O estudante, de 25 anos, morreu após ser eletrocutado durante o festival “I Wanna Be Tour”, na madrugada deste domingo (10), no Riocentro, na zona oeste do Rio. Ele teria recebido a descarga elétrica ao encostar em um food truck da praça de alimentação do evento.

    No IML, informaram à mãe que o jovem tinha a marca de um condutor elétrico nas costas, o que sugere que ele encostou e recebeu o choque. Ele tinha, ainda de acordo com a família, o tênis e o celular secos.

    À CNN, uma testemunha relatou que após o show da banda “A Day To Remember”, a chuva se intensificou e os espectadores recorreram ao espaço da praça de alimentação para se abrigar.

    “Vi o rapaz que veio a óbito caído no food truck, de braços cruzados e paralisado […] Cerca de um a dois minutos depois, a energia do estabelecimento foi cortada, algumas pessoas se aproximaram do local e afastaram a vítima da estrutura. Ele estava desfalecido, e um rapaz do público começou a realizar massagem cardíaca”, afirmou o jovem à CNN.

    A vítima foi socorrida por equipes médicas que estavam à disposição dos frequentadores do festival e levada ao Hospital Municipal Lourenço Jorge. João deu entrada na unidade em parada cardiorrespiratório e não resistiu.

    O corpo do rapaz será enterrado na tarde desta segunda-feira (11) no Cemitério Municipal de Maricá. Além da dor e saudade, a família sofre pela falta de respostas.

    Falta de perícia no local do evento

    Segundo a Polícia Civil, não houve preservação do local do evento para realização da perícia.

    A família da vítima esteve neste domingo (10) no Rio Centro e encontrou a estrutura sendo desmontada para ser levada para Belo Horizonte, onde aconteceu a última apresentação do festival. Roberta acredita que houve negligência por parte da organização.

    Ela conta que somente quando chamou a polícia conseguiu que abrissem os portões do Rio Centro. Lá, encontrou diversos fios expostos na área externa das tendas, além de fios desencapados e geradores em locais inadequados. 

    Investigação em andamento

    A morte do jovem está sendo investigada pela 32ª Delegacia de Polícia, na Taquara. De acordo com a polícia civil, os organizadores do evento e outras testemunhas serão chamados para depor.

    Apesar de o local não ter sido preservado para perícia, a Polícia Civil informou que técnicos serão enviados para vistoriar a área e, em caso haja algum prejuízo às investigações, os responsáveis podem ser penalizados.

    O que diz a organização do evento

    A primeira edição da turnê teve início no dia 2 deste mês, no estado de São Paulo. Antes do Rio de Janeiro, o festival tinha passado por Curitiba e Recife, com apresentações de bandas como Fresno, Simple Plan, Pitty, NX Zero e Boys Like Girls.

    Em nota publicada nas redes sociais, a organização do evento confirmou que o jovem foi atingido por uma descarga elétrica. Segundo o comunicado, uma forte chuva atingiu a cidade durante a realização do festival e as pessoas foram se abrigar em uma marquise, seguindo o protocolo de segurança.

    Os organizadores disseram que todos os esforços foram empenhados pelas equipes médicas do evento e que lamenta profundamente o ocorrido, que está sendo apurado juntamente às autoridades.

    A produtora do evento disse que já procurou os familiares da vítima para prestar assistência. A família nega que esse contato tenha sido feito. Roberta afirma, ainda, que enviou um e-mail para a organização na noite de domingo e ainda não obteve resposta.

    Ainda segundo os organizadores, até o momento, “informações obtidas atestam para a conformidade da operação do food truck”.

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