Especialistas desaconselham Carnaval no Rio de Janeiro
Reunião do Comitê Cientifico da Prefeitura do Rio está marcada para a próxima quarta-feira (12); antes disso, o tema será debatido no comitê que assessora o Governo do Estado
Apesar de a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro informar que uma decisão final sobre o Carnaval só deve ser tomada em até quinze dias, especialistas ouvidos pela CNN afirmam que as festas deveriam ser canceladas por causa do avanço da variante Ômicron.
Para o infectologista e epidemiologista Roberto Medronho, que faz parte do comitê científico do Governo do Estado do Rio de Janeiro, a suspensão do carnaval deveria ser total. Uma reunião do grupo está marcada para essa sexta-feira (7) e o médico pretende defender o cancelamento até do desfile das Escolas de Samba, até então liberados pela Prefeitura.
Para o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, não é momento de promover nenhum tipo de aglomeração. “Chegamos em uma taxa de transmissão elevada, numa variante que não respeita muito vacina. Não se deve promover nenhum tipo de aglomeração, nem com, nem sem passaporte, nem com, nem sem vacina”, disse.
Pelas redes sociais, o governador Cláudio Castro informou que sugeriu ao comitê a suspensão do Carnaval de rua em todo o estado. “Seria irresponsabilidade autorizar aglomerações sem haver a possibilidade de seguir os protocolos sanitários, enquanto os casos de Covid-19 crescem. Orientei a Secretaria de Saúde que dialogue com o Conselho de Secretários de Saúde para que o evento não seja autorizado nos municípios”, escreveu.
O governador Cláudio Castro avalia que não é recomendável a realização do carnaval de rua no Rio de Janeiro, em razão do aumento do número de casos de Covid-19.
A comemoração promoveria aglomerações sem haver a possibilidade de seguir os protocolos sanitários determinados pela Secretaria de Estado de Saúde.
Assim, Castro encaminhou ao comitê científico do estado uma indicação para que o carnaval de rua não seja liberado. O governador aguarda a deliberação dos especialistas e determinou que o secretário de Estado de Saúde, Alexandre Chieppe, dialogue com o conselho de secretários de saúde dos municípios para que o evento seja suspenso neste ano.
Chieppe, em entrevista à CNN na manhã desta sexta, comentou sobre a possibilidade de protocolos mais severos contra a Covid-19 durante a festa.
“Os protocolos terão que ser mais rígidos, inclusive do que a gente tinha sugerido anteriormente por conta das características diferentes da variante Ômicron, que escapa muito à vacinação. E, portanto, a gente talvez tenha que ter uma estratégia mista, combinando teste com vacinação, pra gente ter um Carnaval seguro na Sapucaí”, disse Chieppe.
Está marcada uma reunião do Comitê Científico da Prefeitura para a próxima quarta-feira (12), na qual o tema será discutido. Por enquanto, a Secretaria de Saúde da capital informou apenas que os próximos dias são determinantes para se ter uma decisão sobre o Carnaval.
“Se a variante causar aumento de casos graves ou de internações (segundo cenário), a gente vai ter que repensar este planejamento. Nesse momento, a gente tem um cenário de aumento de número de casos, mas sem aumento de número de casos graves, justamente por conta da altíssima cobertura vacinal na cidade do Rio de Janeiro”, explicou o secretário municipal de saúde Daniel Soranz.
Renato Kfouri concluiu alertando que, mesmo com a vacinação, o cenário epidemiológico no Brasil deve piorar nas próximas semanas.
“Claro que e se você testa, se você vacina, se você mantem distanciamento, mantem máscara, o risco é menor. Mas não no momento que a gente está vivendo, no pior momento da pandemia que se avizinha: nós vamos registrar número de casos diários como nunca registrados anteriormente”, avisou o especialista.
Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia e membro do comitê científico da Prefeitura, Alberto Chebabo, afirmou que vai recomendar pela não realização do desfile de Carnaval na Sapucaí.
Carnaval no Brasil
De acordo com um levantamento da Agência CNN, pelo menos 15 capitais e o Distrito Federal cancelaram ou suspenderam parcialmente o Carnaval público, ou seja, ligado à prefeitura.
Nesta quinta-feira (6), a cidade de São Paulo anunciou o cancelamento do Carnaval de rua. A confirmação veio após um manifesto dos blocos da capital divulgando a desistência nas festas deste ano.
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