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    Dono do quiosque onde congolês morreu no Rio prestará depoimento à polícia

    Oito pessoas envolvidas no assassinato já foram ouvidas pelos investigadores

    Bruna CarvalhoCamille Coutoda CNN , Rio de Janeiro

    A Polícia Civil espera ouvir, ainda nesta terça-feira (1º), o proprietário do quiosque na Barra da Tijuca onde o jovem congolês Moïse Kabamgabe foi morto na semana passada. O depoimento da família da vítima está previsto para esta quarta (2). Oito pessoas já foram ouvidas, entre elas, um representante da comunidade congolesa que ajudou a polícia com informações.

    Agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) e da Guarda Municipal estiveram na manhã de hoje no local, mas o quiosque Tropicália estava fechado.

    A prefeitura informou que, caso se confirme a participação ou conivência do concessionário/proprietário, a licença e concessão serão cassados.

    O secretário de Fazenda e Planejamento do município Pedro Paulo disse que os órgãos fiscalizadores vão acompanhar de perto para tomar as medidas cabíveis: “É inaceitável que o espaço mais democrático dessa cidade possa ser concedido a alguém capaz de um ato tão brutal e desumano!” concluiu.

    Um funcionário de outro estabelecimento na orla, que não quis ser identificado, disse que Moïse trabalhava fazendo diárias em quiosques há pouco mais de três anos. “Ele era quieto, a gente nem sabia o nome dele. Só chamávamos de angolano”, disse.

    Fernand Umpapa, representante da comunidade congolesa, expressou sua indignação com o assassinato de Moïse. “Esse foi um caso que chocou todo mundo, não apenas na comunidade congolesa, mas qualquer pessoa com sensibilidade na comunidade brasileira”, afirmou Umpapa.

    “Se pessoas veem um cão sendo agredido na rua, intervêm para defendê-lo. Mas o mesmo não acontece quando uma pessoa é agredida. Isso aconteceu com Moïse, que apanhou na praia, e ninguém veio ajudá-lo. Isso chocou todos os congoleses e africanos no Brasil, e acho que também chocou a comunidade negra do Brasil que está muito comovida com essa situação”.

    O governador Cláudio Castro e o prefeito Eduardo Paes se manifestaram sobre o caso. “O assassinato do congolês Moïse Kabamgabe não ficará impune. A polícia está identificando os autores dessa barbárie. Vamos prender esses criminosos e dar uma resposta à família e à sociedade. A Secretaria de Assistência à Vítima vai procurar os parentes para dar o apoio necessário”, escreveu Castro.

    “O assassinato de Moïse Kabamgabe é inaceitável e revoltante. Tenho a certeza de que as autoridades policiais atuarão com a prioridade e rigor necessários para nos trazer os devidos esclarecimentos e punir os responsáveis. A prefeitura acompanha o caso”; escreveu Paes.

    Jovem congolês Moïse Kabamgabe morreu no último dia 24, no Rio de Janeiro / Reprodução/Redes Sociais

    Entenda o caso

    Moïse Kabamgabe, de 24 anos, morreu na segunda-feira (24 de janeiro). Os familiares só tomaram conhecimento no dia 25 de janeiro, quase 12 horas após o crime.

    O congolês teria ido ao quiosque por volta das 22h para cobrar o valor de R$ 200 por duas diárias de trabalho que não haviam sido pagas. Estudante de arquitetura, ele trabalhava há cerca de três anos atendendo clientes dos estabelecimentos da orla, servindo as mesas na areia da praia.

    Segundo familiares, que tiveram acesso às imagens de câmeras de segurança, pelo menos cinco pessoas participaram das agressões que teriam durado cerca de 15 minutos.

    O corpo foi enterrado no último domingo (30) no Cemitério de Irajá, na Zona Norte do Rio.

    O jovem nasceu no Congo, na África, e deixou o país em 2011 junto com familiares para fugir da guerra e da fome.

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