“Cracolândia existe porque é um negócio lucrativo”, diz Padre Lancellotti à CNN
Sacerdote citou agentes da GCM que teriam cobrado dinheiro de comerciantes da região em troca de proteção
O padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Povo da Rua de São Paulo, afirmou que o problema da Cracolândia existe porque é um negócio lucrativo, durante entrevista concedida à CNN nesta sexta-feira (21).
O sacerdote citou o caso dos agentes da Guarda Civil Metropolitana que cobravam dinheiro de comerciantes da região em troca de proteção.
“A Cracolândia existe porque é um negócio, e é um negócio lucrativo. Alguém está ganhando muito em cima disso e existe uma rede de corrupção muito forte. O prefeito de São Paulo localizou vários guardas civis que ganhavam R$ 500 para oferecer proteção e mudar o fluxo de lugar”, acusou o padre.
A diretora da Associação dos Delegados de Polícia (Adepol) do Brasil, Raquel Gallinati, concordou com a afirmação de Lancellotti e reforçou a tese dizendo que os crimes gerados pelo “caos social” da Cracolândia não serão solucionados com a mudança geográfica.
“A solução não é deslocar a Cracolândia de localidade. A solução é complexa. A criminalidade fica ali entranhada no emaranhado do caos social. A gente não pode aceitar que pessoas vivam nas ruas, comam dos lixos e vivam dessa forma desumana. Se o estado não tem estrutura, isso não pode ser uma desculpa para a ausência de solução”, declarou Gallinati.
Veja imagens da Cracolândia, na região central de São Paulo
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Agentes da Polícia Civil atuam durante a Operação Caronte, em 2021, contra o tráfico de drogas na Cracolândia, na região central da capital. A operação foi realizada para cumprir mandados de prisão temporária e busca e apreensão. • Werther Santana/Estadão Conteúdo
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Uso de canabinoides sintéticos tem se intensificado na região da Cracolândia, em São Paulo. • WAGNER VILAS/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO
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Agentes da Polícia Civil atuam durante a Operação Caronte, em 2021, contra o tráfico de drogas na Cracolândia, na região central da capital. A operação foi realizada para cumprir mandados de prisão temporária e busca e apreensão. • Werther Santana/Estadão Conteúdo
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Movimentação na cracolândia em maio de 2022, no centro de São Paulo. • Werther Santana/Estadão Conteúdo
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Policiais cercam praça Princesa Isabel, no centro de São Paulo, durante operação policial. • Foto: Isaac Fontana/Framephoto/Framephoto/Estadão Conteúdo
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Agentes da Polícia Civil atuam durante a Operação Caronte, em 2021, contra o tráfico de drogas na Cracolândia, na região central da capital. A operação foi realizada para cumprir mandados de prisão temporária e busca e apreensão. • Werther Santana/Estadão Conteúdo
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Policiais realizam operação na Praça Princesa Isabel, no centro de São Paulo, na região conhecida como Cracolândia, em 2017. O quarteirão foi isolado e usuários de drogas atearam fogo em barracas. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, foram presos dois traficantes e apreendidos 774 g de droga e R$ 1,6 mil em dinheiro. • Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
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Agentes da Polícia Civil atuam durante a Operação Caronte, em 2021, contra o tráfico de drogas na Cracolândia, na região central da capital. A operação foi realizada para cumprir mandados de prisão temporária e busca e apreensão. • Werther Santana/Estadão Conteúdo
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Agentes da Polícia Civil atuam durante a Operação Caronte, em 2021, contra o tráfico de drogas na Cracolândia, na região central da capital. A operação foi realizada para cumprir mandados de prisão temporária e busca e apreensão. • Werther Santana/Estadão Conteúdo
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Policiais cercam praça Princesa Isabel, no centro de São Paulo, durante operação policial. • Foto: Isaac Fontana/Framephoto/Framephoto/Estadão Conteúdo
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Policiais cercam praça Princesa Isabel, (nova Cracolândia), centro de São Paulo, em operação policial desde a madrugada desta quarta-feira (11). • Foto: Isaac Fontana/Framephoto/Framephoto/Estadão Conteúdo
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Vista dos barracos instalados na calçada da Rua Helvétia, região conhecida como Cracolândia, no centro de São Paulo, em 2014. • José Patrício/Estadão Conteúdo
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As falas do padre e da delegada vêm após o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmar à CNN que desistiu de transferir os dependentes químicos que hoje ficam na área conhecida como Cracolândia para o Bom Retiro, também na região central da capital paulista.
“Não vai funcionar. Vou voltar atrás. Sou humano. Não tenho problema de corrigir o caminho.”
A iniciativa havia sido anunciada na terça-feira (18) e provocou forte reação nos comerciantes do Bom Retiro.
A ideia inicial do governador era levar os dependentes para dentro do complexo Prates, onde já funcionam instalações como o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps), além de uma unidade da Assistência Médica Ambulatorial (AMA).
Com produção de Letícia Brito