Carnaval 2023: Galo da Madrugada resgata matrizes africanas e traz mensagem contra preconceito
Tradicional estrutura que representa o Carnaval recifense terá 28 metros de altura e pesará 70 toneladas; este ano, 2 milhões de foliões devem curtir o bloco no sábado de Zé Pereira


Majestoso e amado por pernambucanos e turistas, o Galo da Madrugada não é apenas um bloco carnavalesco. Ele faz parte da cultura e da história do Recife.
A saudade de ver o “galo gigante” na ponte Duarte Coelho, centro da cidade, é grande, mas ela está perto do fim. A festa foi suspensa por causa da pandemia de Covid-19, e o último desfile do Galo foi em 2020.
Na tarde desta quarta-feira (1°), foram anunciados os elementos que vão compor a alegoria. A mensagem principal é contra o preconceito.
Pela primeira vez, o Galo reverencia pretos e pardos, pilares da cultura carnavalesca e do surgimento dos brinquedos populares, além do próprio frevo.
O designer e artista plástico pernambucano Leopoldo Nóbrega, responsável pela criação visual da estrutura, disse em coletiva de imprensa que se inspirou em um galo majestoso que flerta com o futuro, ao mesmo tempo que reverencia suas origens carnavalescas e traz a representatividade da etnia brasileira.
Em 2023, quem reinará na região central da capital pernambucana será o “Galo Ancestral”.
“Em reconhecimento à história e toda riqueza do legado afrodescendente para a formação multiétnica nacional, evocamos a nossa ancestralidade africana e brindamos um novo tempo colorido, de paz, igualdade, inclusão e valorização das diferenças como potência cultural e estímulo ao fortalecimento das identidades através do empoderamento social, das narrativas humanistas e práticas sustentáveis presentes na escultura gigante do Galo da Madrugada”, afirmou Leopoldo.

Para o secretário de Cultura do Recife, Ricardo Mello, o encontro com o “Galo Ancestral” enaltece a cultura popular, fundamental para o Carnaval recifense.
“Quando falamos em uma volta ‘com todos os Carnavais’, estamos atentos à diversidade, à pluralidade única desse ciclo cultural, no Recife, mas também às referências temporais, das várias épocas, encontrando assim as origens da folia”, afirma Mello.
A estrutura do Galo
Ao todo, serão mais de 7 toneladas de materiais utilizados, incluindo, além da estrutura de ferro. todos os revestimentos de moda e arte da obra. A estrutura da alegoria é feita sob medida para ser encaixada no guindaste de 70 toneladas que garante a estabilidade do Galo na ponte Duarte Coelho.
São cerca de 20h de trabalho para a montagem, que deve ser iniciada na noite do dia 16 de fevereiro. Ao fim, a alegoria chegará a 28 metros de altura.
A obra de arte também traz traços cubistas e de Picasso, que, por sua vez, também se inspirou na arte africana no início do século passado, e terá 90% de materiais e resíduos recicláveis.
Assim como suas duas últimas edições, também assinadas por Leopoldo Nóbrega e a designer e arquiteta Germana Xavier, a sustentabilidade e upcycling (reutilização) são fundamentais no processo de confecção da obra de arte gigante.
A indumentária vem de descartes de tecidos como malhas e jeans coletados em cidades como Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe e também de revestimentos de pisos em eventos.
O “Galo Ancestral” ficará pronto na sexta-feira (17). Já a concentração do bloco será no sábado de Zé Pereira, dia 18, às 7h, no Forte das Cinco Pontas, saindo às 9h.
Ao todo, serão 30 trios elétricos, que seguem em trajeto pelas ruas do centro da capital pernambucana em direção à estrutura do galo gigante.
A festa do Galo da Madrugada vai se encerrar às 18h30. Este ano, 2 milhões de foliões devem curtir o bloco, número menor do que o registrado em 2020, de 2,5 milhões de pessoas.