Vaticano prende ex-funcionário por tentativa de venda de manuscrito furtado
Suspeito foi interrogado duas vezes; ele teria tentado vender documento do século XVIII a cardeal da Basílica de São Pedro
A polícia do Vaticano prendeu um ex-funcionário por supostamente tentar vender à cidade-estado um manuscrito do século XVII do mestre barroco italiano Gian Lorenzo Bernini que havia desaparecido dos arquivos, disse um porta-voz do Vaticano.
Especialistas disseram que o documento de 18 páginas, com miniaturas douradas, contém os primeiros detalhes das características decorativas da marquise da Basílica de S. Pedro projetada pelo escultor e arquiteto Bernini.
Bernini é considerado o principal mestre da arquitetura barroca italiana no século XVII e entre suas obras-primas está a colunata que circunda a Praça de S. Pedro.
O suspeito, que foi preso em 27 de maio sob a acusação de tentativa de extorsão, trabalhou para a Fábrica de S. Pedro, a instituição responsável pela conservação e manutenção da Basílica de São Pedro.
Ele permanece sob custódia no Vaticano e foi interrogado duas vezes nos últimos dias, acrescentou o porta-voz. Os promotores do Vaticano decidirão na próxima semana se ele será formalmente indiciado.
Os promotores iniciaram a investigação após uma queixa do órgão e prenderam o homem quando ele trouxe o manuscrito de volta ao Vaticano, oferecendo-o por 120.000 euros (R$687 mil).
A notícia foi relatada pela primeira vez pelo jornal italiano Domani, que identificou o suspeito como um ex-chefe de comunicações da Fábrica e disse que ele supostamente tentou vender o manuscrito para o cardeal Mauro Gambetti, o arcipreste da Basílica de São Pedro.
O Domani disse que o manuscrito desaparecido estava na posse do Vaticano.