Trump faz nova tentativa para descartar caso de documentos confidenciais
Moção apresentada na segunda-feira (10) reitera alegações de que o Departamento de Justiça adulterou evidências favoráveis ao ex-presidente


O ex-presidente Donald Trump pediu mais uma vez a um juiz que descartasse o caso dos documentos confidenciais, argumentando desta vez que os investigadores destruíram provas de inocência vasculhando caixas em busca de documentos confidenciais reunidos na busca do FBI em 2022 em Mar-a-Lago.
A moção apresentada na segunda-feira aborda alegações que já surgiram no tribunal – que o Departamento de Justiça supostamente adulterou evidências que teriam sido favoráveis para o ex-presidente. Um dos corréus de Trump pediu à Juíza Aileen Cannon em maio um adiamento do caso porque os advogados de defesa estavam tendo dificuldades para entender a ordem dos documentos nas dezenas de caixas apreendidas pelo FBI.
A equipe do promotor Jack Smith já reconheceu no tribunal que alguns dos documentos podem estar fora de ordem. Em uma ação judicial em maio, os promotores escreveram que “há algumas caixas em que a ordem dos itens dentro da caixa não é a mesma que nas digitalizações associadas”, acrescentando uma nota de rodapé que “o governo reconhece que isso é inconsistente com o que os advogados do governo anteriormente entendiam e representaram no Tribunal”.
Os advogados de defesa de Trump alegam, em sua moção na segunda-feira, que documentos confidenciais encontrados durante a busca foram “enterrados em caixas e misturados com os pertences pessoais do presidente Trump desde seu primeiro mandato,” então era provável que o ex-presidente não tivesse ideia do que estava nas caixas – muito menos se houvesse documentos confidenciais dentro.
No entanto, segundo Trump, essas caixas foram adulteradas porque os investigadores não mantiveram a ordem de seu conteúdo.
Os investigadores “fizeram pouco ou nenhum esforço para documentar a localização dos itens apreendidos dentro de uma caixa ou para manter a ordem dos documentos dentro de cada caixa que eles procuraram”, escreveram os advogados de defesa. Os indivíduos que procuraram nas caixas mostraram uma “atitude insensível em relação aos direitos do presidente Trump e um desrespeito ao profissionalismo básico”, escreveu a defesa do Republicano.
Eles continuaram: “o governo estava mais interessado em encenar – e vazar – fotografias manipuladas para a imprensa do que preservar evidências importantes de inocência que agora foram perdidas para sempre.”
Se Cannon se recusar a retirar as acusações, os advogados de Trump pediram que ela descartasse qualquer evidência coletada durante a busca de 2022.
A Juíza ainda não decidiu sobre várias moções adicionais para arquivar o caso de Trump e seus dois corréus. Cannon rejeitou uma de suas tentativas de encerrar o caso na segunda-feira à noite, decidindo contra suas alegações de que a acusação sofria de defeitos técnicos que justificavam seu encerramento. No entanto, a Juíza lhes deu uma pequena vitória ao remover de um relatório a acusação de Trump supostamente mostrando um mapa confidencial a um conselheiro político, porque o mapa não era um dos documentos que Trump é acusado de manuseio incorreto. A decisão deixou em aberta a possibilidade de que o escritório de Smith pudesse tentar reintegrar esse suposto episódio como evidência do caso.
Os três se declararam inocentes.
Os Republicanos do Congresso também se aproveitaram da informação divulgada de que os documentos estavam fora de ordem.
Em uma ação judicial anterior, os promotores enfatizaram que os documentos permaneceram nas caixas individuais dentro das quais foram encontrados e argumentaram que a divulgação de que eles mudaram de ordem não era motivo para prolongar os procedimentos do caso. Eles também observaram que uma revisão de terceiros dos materiais apreendidos que Cannon ordenou após a busca de Mar-a-Lago pode ser parte da razão pela qual os documentos estavam fora de ordem.
Em sua nova petiação, a equipe de Trump contra-argumentou que os materiais de descoberta recentemente produzidos para a defesa sugeriam que a equipe de filtragem do FBI – que peneirou os documentos apreendidos antes de Cannon ordenar a revisão de terceiros e que tinha a tarefa de separar documentos potencialmente sujeitos à confidencialidade – não havia preservado a ordem original dos documentos dentro das caixas.
O escritório de Smith disse em um comunicado anexado à petição de segunda-feira de Trump que as “alegações de má conduta são, mais uma vez, falsas” e que os promotores cumpriram suas obrigações legais.
Além da petição de segunda-feira buscando encerrar o caso, os advogados de defesa solicitaram e receberam da juíza uma prorrogação do prazo para que eles divulgassem os especialistas que poderiam potencialmente testemunhar durante um eventual julgamento. Os advogados de defesa disseram que um especialista que esperavam incluir em sua lista de testemunhas decidiu não participar do caso. O escritório de Smith se opôs ao atraso, de acordo com os documentos. Agora, as divulgações devem ser feitas em 8 de julho.